sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A TRANSFORMAÇÃO DO OURIÇO DO MATO


Dedico essa estória aos meus netinhos Théo e Nina


     ERA UMA VEZ um ouriço do mato, ou porco-espinho como muita gente o conhecia...
    Qualquer um que se aproximasse dele era ferido pelos espinhos que ele soltava, como pequeninas flechas...

     Na verdade, o ouriço era movido pelo medo. Ele tinha medo de tudo: medo de ser atacado, medo de morrer, medo de sentir dor, medo de ficar sozinho, medo de amar e sofrer...

    Todos que vivem dominados pelo medo têm sempre de se defender. Para eles, a melhor defesa é sempre o ataque. Então, vivem atacando qualquer um que se aproxime com gestos, palavras, críticas ou mesmo desprezo... Como o ouriço não sabia falar, criticar, nem desprezar, ele soltava logo seus espinhos!!!

   Assim o ouriço ficava cada dia mais sozinho, mais triste, sem amigos, não tinha com quem brincar nem conversar... Cada dia ele estava mais carente e menos contente...
  Até que numa noite ele rezou ao seu anjo da guarda, que sempre se sentava à beirada da sua cama:

     “Querido anjo da guarda, eu quero ter amiguinhos para abraçar, para brincar, mas eu sinto muita dificuldade por causa dos meus espinhos... Ninguém quer chegar perto de mim para não se machucar... Eu não sei o que fazer porque solto espinho automaticamente quando sinto medo... Quero que você tire o medo do meu coração, e se você fizer isso eu vou ficar muito feliz!”

     O ouriço dormiu e no dia seguinte acordou mais cedo pois havia sentido algo estranho no seu lençol... Algo que estava lhe pinicando. Sabe o que era?

     Era o seu próprio espinho que havia caído do seu corpo. Foi aí que ele percebeu como uma pinicada de espinho incomodava!
     Depois o ouriço foi tomar banho para ir à escola, mas o ralo do chuveiro entupiu e ele gritava:
    - Manhê...!!!!! Vem aqui! O banheiro está alagando!

     Quando sua mãe chegou, viu que havia vários espinhos entupindo o ralo do banheiro e os tirou dali para a água ir embora.
     Então, o ouriço percebeu que todos os seus espinhos estavam caindo... Teve medo de ficar sem nenhum espinho para poder atacar quando precisasse! Mas logo se lembrou da oração que havia feito na noite anterior...

     Ele havia pedido para o anjo tirar o medo do seu coração... Então ele pensou: “Se eu pedi isso é porque eu quero ficar sem espinho. Se eu não tiver medo, eu não vou precisar mais de espinhos!”

    Então ele mesmo pediu para sua mãe lhe ajudar a arrancar os últimos espinhos que ainda restavam nas suas costas! Foi o banho mais gostoso de toda a sua vida! Sem espinhos o seu corpo ficou lisinho!... Ele podia sentir a suavidade da bucha de espuma deslizando pelo seu corpo! Podia sentir a maneira carinhosa com que sua mãe lhe lavava as costas!

    Saiu do banho feliz e foi para a escola. Ele estava tão diferente que quando chegou à sala de aula seus amiguinhos não o reconheceram:
- Professora! Tem aluno novo na sala!

    Quando a professora chegou, viu que era o ouriço do mato, e que estava bem mais bonito sem os espinhos! Então ela se aproximou dele, lhe deu um beijo no rosto e disse:
- Bom dia ouriço! Como você está bonito!

     O ouriço, que nunca tinha ouvido um elogio, e nunca tinha recebido um beijo na face, quase chorou de tanta emoção!

     Todos os amiguinhos queriam chegar perto dele para passar a mão e ver como seu corpo estava lisinho e macio... E ninguém mais tinha medo dele! Brincaram juntos o recreio todo. No final da aula todos voltaram para a casa mais felizes: o ouriço, seus amiguinhos, e a professora!

     À noite, a mamãe do ouriço também ficou muito feliz. O ouriço ouviu ela comentando com o papai:
“Nosso filho está tão contente agora!”

     E quando o ouriço foi se deitar, rezou assim:

     “Obrigado meu anjo protetor, meu anjo que me guarda de todo perigo, porque você me ajudou a perder o medo das pessoas e da vida e agora meus espinhos caíram porque eu não preciso mais deles. Estou mais alegre! Meus amiguinhos, minha professora e meus pais também... Muito obrigado! Um beijo pra você!”

Marisa










sexta-feira, 19 de outubro de 2012

AREANDO PANELA


No tempo da minha avó

Mulheres não faziam terapia,

Areavam panelas...



No tempo da minha avó,

Mulheres não enlouqueciam,

Apenas teciam...

Suas roupas, seus mantos...

Caladas, de almas aladas

Conversavam com seus santos...

Nada de bate –papo na internet!

Nada de microondas e panelas de plástico...

Eram iluminadas enquanto

Panelas eram areadas!

No tempo da minha avó,

Mulheres não faziam plástica,

Não tinham crises existenciais,

Nem viviam nos shoppings

Querendo mais...



Não havia corantes,

A vida era colorida,

Não havia estabilizantes,

O mundo era estável,

Não havia conservantes,

As amizades não apodreciam,

Não havia aromatizantes,

As comidas tinham o sabor natural,

A vida não era artificial,

Havia galinhas no quintal...



No tempo da minha avó,

Não existia fio dental,

Nem de dente, nem de bunda,

A mulher não se mostrava,

Sorria recatada,

Roupa suja se lavava em casa...

Nada de lavadoras, secadoras,

Ferros modernos com vapor!

Não havia roupa sintética,

Confiava-se na palavra, na ética,

Roupas brancas quaravam ao sol...



No tempo da minha avó,

Tudo era difícil,

Não havia computador,

Mas a vida era fácil,

Sentia-se menos dor...



Tudo era difícil,

Mas a vida era fácil,

Era simples,

Era o que era...



Marisa





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PENTEIE O SEU CABELO!

Não é possível corrigir uma imagem pelo seu reflexo.
Os defeitos dos outros nada mais são que reflexos daquilo que trazemos em nós.

Se você está com o cabelo despenteado e se olha no espelho, o que você vê?
Uma pessoa de cabelo penteado ou despenteado?

Estamos gastando nossa energia inutilmente... Com o pente na mão estamos tentando pentear a imagem refletida no espelho... E por ser tão difícil, gastamos mais e mais energia e tentamos de novo!

Na verdade o que fazemos é ridículo: Tentando pentear um espelho, que nem cabelo tem!

Vou me voltar para mim... Pentear o meu cabelo, pois esse é o único cabelo real!

Marisa

terça-feira, 11 de setembro de 2012

EMPODERAMENTO

É assumir o poder que se tem juntamente com a responsabilidade a ele inerente.
Mas como não queremos ser responsáveis por nada (não é muito mais fácil jogar a culpa nos outros?), então, não assumimos nada.
Nossa vida fica como uma casa abandonada e qualquer um que chegar pode assumir esse lugar de poder que por direito seria nosso. Casa da "mãe joana"!!
Deixamos que os outros, as circunstâncias, as emoções nos dominem... Deixamos que tudo isso nos dirija e tire de nós a felicidade de ser dono do próprio destino!!!

Marisa

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

OS DOIS PODERES


“Há pessoas que amam o poder,

Outras têm o poder de amar.”

Bob Marley



Trata-se de dois poderes totalmente diferentes.

O primeiro é o poder exterior, e o segundo é o poder interior.

O poder exterior é um poder que nos é outorgado ou usurpado, concedido pelos outros, vem de fora de uma forma ou de outra, como o poder de um político em que os eleitores lhe concederam o poder através dos votos. Esse poder é momentâneo, nada impede que amanhã ou depois esse poder lhe seja tirado.

Já o poder interior ninguém lhe tira porque não é um poder outorgado, nem usurpado, mas sim conquistado. Está intrinsecamente ligado ao SER e não ao TER. Você É poderoso, e isso é muito diferente de TER PODER.
Por que? Porque quem É poderoso, não controla os outros, controla a si mesmo.
Quem realmente é poderoso controla as próprias emoções, não se deixa escravizar, respeita o semelhante, respeita o sentimento alheio e está sempre buscando a união. Quem tem esse tipo de poder, o poder de amar, o poder de perdoar, o poder de compartilhar, não atua com arrogância, prepotência...
O poder exterior é um falso poder, está ligado ao EGO, o falso eu e, portanto, não passa de uma ilusão, não nos traz tranqüilidade, estamos constantemente temendo perder esse poder, lutando para mantê-lo. É esse poder que desagrega a sociedade, gerando violência, crimes, conflitos de toda a espécie. Ele é simbolizado pelo dinheiro atualmente. Enquanto esse poder de fachada nos pergunta: “Você sabe com quem está falando?” O poder verdadeiro perdoa. Quanto mais poderosos somos interiormente, mas humilde é o nosso comportamento, pois existe consciência do próprio poder.


Eu desejo que você tenha e exerça o seu poder de amar. Porque esse poder traz serenidade, paz, soluções, progresso... E felicidade!!!!



Marisa



segunda-feira, 14 de maio de 2012

HORMÔNIOS




Feliz daquele que se libertou da escravidão!


Hormônios são demônios!

Sobem por nossas veias...

Nos fazem fazer coisas que não faríamos...

Promessas que jamais cumpriríamos...


Drogados que prometem não se drogar,

Ciumentos que prometem se controlar...

Homens que prometem não trair...

Mulheres que prometem não gastar...



São feras... Ferormônios!

Se aprumam e atacam pela noite...

Nos dão prazer e nos escravizam...



Fazem os filhos...

Os filhos que sonhamos anjos

E se tornam vampiros,

Roubam nosso sangue,

Nos sugam,

Nos mudam,

E depois nos esquecem

Como demônios que somos...



Hormônios enlouquecem...

Mas perpetuam a espécie!



Marisa
2012


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

CRÔNICA DA VIDA REAL - O QUARTO DAS TRANQUEIRAS

O quarto das tranqueiras ou o quarto da bagunça tem a mesma funcionalidade dos sótãos ou dos porões de antigamente. É um lugar onde guardamos coisas que já passaram, mas para nós não... Ou coisas que não passaram, mas para nós sim...

Psicologicamente falando assumem a função da nossa sombra, tudo aquilo que não queremos ver... nossos segredos cabeludos, a história de nossos ancestrais, nossas fantasias, nossos sonhos, quem fomos, quem deixamos de ser... Quem poderíamos ser...

E não é à toa que a Betânia (minha filha) me deu o apelido de Rainha da Sucata.

O Théo, meu netinho de três anos veio me visitar semana passada e me perguntou:

_ Vovó, aonde dá essa porta? Por que está fechada?

Não preciso falar que a dita cuja era a porta do quarto das tranqueiras, né? No meu apartamento esse quarto minúsculo deveria ser o quarto de uma empregada anã, mas como não tenho empregada, acabou virando aquele quarto perfeito para quando a gente faz a pergunta: _ Aonde eu enfio isso?

Roupa suja para lavar, ferramentas, potinhos vazios, pincéis endurecidos por tinta seca, vasos para flores que não ganho mais, cortes de tecido e máquina de costura que ficam ali me esperando, não sei até quando... cadernos de receitas que nunca experimentei, produtos de limpeza que duram uma eternidade, livros que já li e ainda vou ler, coisas para dar quando eu achar a pessoa certa, a bicicleta e os brinquedos do Théo (antes eram os da Betânia), papéis de presente e muitas sacolinhas plásticas (que agora valem ouro!)... Coisas que se quebraram e precisam de reparo...

Mas o Théo estava intrigado e queria saber por que o quarto tinha duas portas: uma que dava para o hall de entrada, e outra que dava para a área de serviço. O que ele queria saber, na verdade, era por que a porta do hall de entrada estava sempre fechada...

Mas... Como dizer para uma criança de três anos que ainda é totalmente espontânea, que a gente precisa ser o que não se é... preservar a “fachada”, mostrar a organização, a coerência, a limpeza, esconder a bagunça, aquilo que nos confunde, nos desestrutura?!...

No meio da conversa, os olhinhos do Théo brilharam de interesse quando comecei a lhe mostrar minhas preciosas tranqueiras... Quando lhe disse que ali também eu guardava os brinquedos da Betânia (mãe dele) ele me pediu para descrever e falar sobre os brinquedos da Betânia. Saber que sua mãe havia sido criança como ele, e tinha brinquedos como ele era fantástico!

Atualmente minha filha e ele estão passando por um dilema terrível : Onde enfiar os brinquedos do Théo? Ela escondeu os brinquedos do menino e lhe disse que a bruxa havia passado lá e levado os brinquedos porque estavam todos jogados... Mas a malvadeza não foi só essa... Foi representar a bruxa por uma foto minha!!!!!!

Mas, voltando ao quarto das tranqueiras... Não é só uma questão de espaço, é muito mais uma questão de desapego do passado e do futuro.

- Desapego do futuro? Sim, porque “isso” eu vou guardar porque um dia vai servir para alguma coisa! Como se o futuro dependesse das tranqueiras que a gente guarda...

E o interessante é que psicologicamente falando eu acredito que sim: O futuro depende das tranqueiras que a gente guarda: velhas mágoas, recordações lúgubres... assim como das alegrias que tentamos congelar com medo de perder...

Todos nós temos, lá no fundo, com a porta fechada, um quartinho das tranqueiras, onde guardamos as coisas que já passaram, mas para nós não... Ou as coisas que não passaram, mas para nós sim!


Marisa
Fev 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A CULPA É DAS SACOLINHAS PLÁSTICAS!

É comum colocarmos a culpa de nossos infortúnios em coisas inanimadas... Que não podem se defender!
Batemos o carro no poste e a culpa é do poste que não deveria estar ali!
A culpa é do sistema que saiu do ar!
E dessa vez a culpa é das sacolinhas plásticas! É preciso acabar com elas!

É comum também escolhermos argumentos bons e verídicos para convencer os outros de fatos inverídicos.
O argumento de preservação do meio ambiente é bom, forte, verídico. Mas dizer que é por preocupação com o meio ambiente que os mercados fizeram esse "acordo"... Aí já é demais...
É como acreditar que o Kassab estivesse preocupado com o ar que respiramos... Esse contrato com a empresa CONTROLAR está mais para conchavo... Graças a Deus a verdade veio à tona.
É bonito uma cidade limpa? É lógico que é!
Quem não gosta de cidade limpa, sem poluição visual, sonora, sem gases e sem lixo?
Todos apoiaríamos esse argumento, "slogan", e nossos políticos teriam total apoio.
E isso é tudo o que eles precisam- NOSSO APOIO. Para a cidade ficar limpa? Não sejam inocentes.

Quem se deixa iludir, se deixa manipular é tão culpado quanto aqueles que nos iludem, nos enganam, nos manipulam e roubam nosso dinheiro e nossa inocência...

É preciso ter esperança? É, é preciso. Mas a esperança sadia. Não a esperança cega.

Quem está realmente preocupado com o meio ambiente já está trabalhando nisso, e não precisa de contratos ou acordos que o obriguem a isso.

Não é o povão que suja a cidade e causa enchentes.
Não é o povão que usa sacolinhas que mata a fauna e a flora e devasta a Amazônia.
Sou a favor da conscientização, SIM, principalmente dos nossos políticos.
Já pensaram quantas sacolinhas BIODEGRADÁVEIS poderíamos fazer e distribuir pelo Brasil com o dinheiro que tiram de nós?

MARISA
fev 2012


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

MARKETING EMPRESARIAL

Uma empresa deve fazer seus funcionários acreditar em seus produtos, serviços e idéias.
Se você, enquanto empregado, não acredita na eficácia ou na qualidade do produto ou do serviço que vende, você é uma célula cancerosa para a empresa em que trabalha e para você mesmo.

Demita-se! Não espere ser demitido, porque ninguém consegue ser falso 100% do tempo, isso consome muita energia e provavelmente afetará sua saúde.

Se você compactua com coisas erradas e se vende só por causa do dinheiro que recebe no final do mês, você é pior do que uma prostituta, porque ela vende o corpo e você vende a alma!

“Vestir a camisa” não significa esquecer quem você é... Porque você pode vestir a camisa que lhe serve, que lhe cabe, P, M ou G. Tudo bem se ficar um pouquinho apertado, mas jamais vista a camisa do Corinthians se você for do São Paulo!
Não vai dar certo...

Muitas pessoas não entendem porque não “sobem” na vida...
Talvez estejam descendo demais...
Quem desce demais só pode catar as migalhas do chão, jamais acessar as estrelas!

Marisa
2012