A ÚTIMA CARTADA
A MORTE DO MÚSICO
CHAMPIGNON – 08.09.2013
“Claudia Bossle Campos, mulher de Luiz
Carlos Leão Duarte Junior, conhecido como CHAMPIGNON,
postou uma foto com o músico em seu perfil no Facebook horas
antes de ele ter sido encontrado morto em seu apartamento”.
A
morte do músico Champignon, as mortes na família Perseguini, e outras tantas
histórias, como a história do filme GRAÇA E PERDÃO que vi ontem no You-tube, e que
é uma história baseada em fatos reais, têm algo em comum... Todas essas histórias
têm algo em comum... O espanto das pessoas que ouvem incrédulas: Ele
não seria capaz...
As
pessoas da família que conviviam num relacionamento íntimo com esses assassinos
ou vítimas, não conseguem acreditar na veracidade do ocorrido...
_Ele não seria capaz de fazer isso!!!
E
por que isso acontece? Porque estamos cegos para o outro.
Como
não somos capazes de perceber que uma pessoa que convive conosco todos os dias
está infeliz? Como não percebemos os sinais? Não somos educados para encarar a tristeza,
para entender as perdas... e superá-las. Estamos com muita
pressa para ficar parando e imaginando coisas, vendo fantasmas... Não é mesmo?
Precisamos produzir! Mas às vezes a produção mais útil que podemos fazer é
parar e escutar o outro.
Se
você conhecesse o outro por dentro, com todos os seus dramas e conflitos
internos, entenderia perfeitamente que ele seria capaz sim... Tanto seria que
foi capaz!
As
coisas sérias como os sentimentos verdadeiros estão fora de moda. Quando ligo a
televisão tudo o que vejo são programas ridículos de humor barato e ou
programas de fachada “séria”, mas superficiais e entupidos de comerciais... O
ser humano não nos interessa mais, interessa o que ele produz, o que ele lhe dá
em troca... Se o seu marido está pagando as suas contas está tudo bem, agora...
Se ele está infeliz, isso não lhe importa nem um pouco... Se a sua esposa está
cuidando dos filhos e da casa está tudo bem, agora... Se ela está infeliz...
Isso já não lhe interessa...
Enxergamos
só a fachada, a celulite, os pneuzinhos... O que nos interessa é seguir os
padrões da sociedade e a sociedade só vê o que está por fora, as fotos do
Facebook, os shows, os aplausos... Não vê o que vai dentro de você... É preciso
ter mais sensibilidade para ver o outro, para perceber que algo não vai bem e
tentar ajudar... E muitas vezes essa ajuda consiste apenas em escutar com o
coração...
As
pessoas precisam se sentir validadas, valorizadas, importantes...
Quem
se sente validado, valorizado ou importante para alguém, nem que seja para um
animalzinho de estimação, não se mata. Alguns colocarão a culpa nas drogas,
mas... E as drogas existem por que? Quem vai se drogar é porque está se
sentindo muito pequeno, a ponto de se deixar levar por algo que só lhe
prejudicará... A ponto de se destruir... A droga é uma morte lenta... Só isso.
A
pessoa que se mata está cansada de lutar para ser percebida, a morte é apenas a
última cartada... A carta que estava na manga!
Marisa