segunda-feira, 20 de março de 2017

CRONICA DA VIDA REAL - Para onde vão as imagens que não sentimos?



CRONICA DA VIDA REAL

PARA ONDE VÃO AS IMAGENS QUE NÃO SENTIMOS...?

Capturamos, mas não com a alma...
Na verdade, nós é que fomos capturados pelo tempo que não vivemos!

Milhões de fotos capturadas por máquinas, mas não por pessoas
Para onde será que vão tantas imagens ?
Será que vão para a memória do seu aparelho eletrônico?
Será que vão para o seu cartão de memória?
Será que vão para a nuvem?
Ou será que vão para a SUA memória,
para uma memória unificada e coletiva como o registro akáshico?

A desculpa que se dá é que o momento é efêmero, e temos a ilusão de que congelando a imagem ela será eterna... E esse é exatamente o argumento que uso para muitas vezes não registrá-la: O momento é efêmero!
A vida é aquilo que acontece enquanto eu fico tirando fotos...

Lembro-me de quando fiz o Caminho de Santiago, em 49 dias tirei 340 fotos e achei muito! Nas viagens de hoje, vejo que o pessoal em dois dias já tem 2000 fotos registradas!
Houve momentos em minha viagem que queria tirar foto de grupo, mas desisti, porque todos, inclusive eu, estava com celulares e máquinas em posição de captura de imagem!
A exceção foi na lama do Mar Morto, em que fomos obrigados a deixar as fotos de lado, devido à meleca da lama...
Fico me policiando... Primeiro sinto, depois registro.

Quando eu olho um monumento, um habitante, animal, ou paisagem local, tento perceber aquele ser ou objeto, com toda sua história, sua beleza ou sua tristeza, sua angústia ou sua glória... seu cansaço ou sua paz...
Quando eu me uno ao objeto que observo, a foto não vai apenas pra minha máquina, ela vai para a memória do universo e ali ela tem poder para ser muito mais que uma foto. Unida à minha vibração interior, ao meu desejo amoroso, ela se torna um objeto de transformação e mutação, não só da realidade, mas de mim...

Eu preciso viver o presente, estar no presente, sentir com o coração e a respiração...

Sentir a energia e a catarse que se realiza aqui dentro quando piso um solo diferente, a ritmia do coração, a respiração, o vômito, a diarréia, todas as dores numa só... a emoção do que já vivi numa vida passada... é preciso limpar e purificar, e sentir a luz depois.

Existe muita coisa além das aparências, do oba-oba, das frases clichês... E tudo isso só é percebido quando se perde o medo do julgamento que os outros fazem de nós. Quando se perde o medo de sermos quem somos.
É só quando se perde o medo de ser aquilo que se é que a transformação se inicia. Quando se perdoa os próprios erros, os próprios defeitos... Então, um novo caminho se abre para sermos mais amorosos e darmos o nosso melhor...

Eu vivi momentos lindos, conheci pessoas lindas, uma paisagem de um colorido belíssimo!

Que lindo... Aquela cabra que renunciou à subida da montanha junto ao seu rebanho para ficar com seus dois filhotinhos, que não conseguiam subir! Isso não pode ser registrado pela lente fotográfica...

O choro do camelo não me sai da memória... Aquele camelo sentado com ares de cansado e que apanhava do beduíno para se levantar e levar mais um turista para passear e tirar fotos... Isso o celular não registra... Uma máquina não fará por você o que só você pode fazer!

Marisa
março 2017