CRONICA DA VIDA REAL
PARA ONDE VÃO AS
IMAGENS QUE NÃO SENTIMOS...?
Capturamos, mas
não com a alma...
Na verdade, nós é que fomos
capturados pelo tempo que não vivemos!
Milhões de fotos capturadas por
máquinas, mas não por pessoas
Para onde será que vão tantas
imagens ?
Será que vão para a memória do
seu aparelho eletrônico?
Será que vão para o seu cartão de
memória?
Será que vão para a nuvem?
Ou será que vão para a SUA
memória,
para uma memória unificada e
coletiva como o registro akáshico?
A desculpa que se dá é que o
momento é efêmero, e temos a ilusão de que congelando a imagem ela será
eterna... E esse é exatamente o argumento que uso para muitas vezes não
registrá-la: O momento é efêmero!
A vida é aquilo que acontece
enquanto eu fico tirando fotos...
Lembro-me de quando fiz o Caminho
de Santiago, em 49 dias tirei 340 fotos e achei muito! Nas viagens de hoje,
vejo que o pessoal em dois dias já tem 2000 fotos registradas!
Houve momentos em minha viagem
que queria tirar foto de grupo, mas desisti, porque todos, inclusive eu, estava
com celulares e máquinas em posição de captura de imagem!
A exceção foi na lama do Mar
Morto, em que fomos obrigados a deixar as fotos de lado, devido à meleca da
lama...
Fico me policiando... Primeiro
sinto, depois registro.
Quando eu olho um monumento, um
habitante, animal, ou paisagem local, tento perceber aquele ser ou objeto, com
toda sua história, sua beleza ou sua tristeza, sua angústia ou sua glória...
seu cansaço ou sua paz...
Quando eu me uno ao objeto que
observo, a foto não vai apenas pra minha máquina, ela vai para a memória do
universo e ali ela tem poder para ser muito mais que uma foto. Unida à minha
vibração interior, ao meu desejo amoroso, ela se torna um objeto de
transformação e mutação, não só da realidade, mas de mim...
Eu preciso viver o presente,
estar no presente, sentir com o coração e a respiração...
Sentir a energia e a catarse que
se realiza aqui dentro quando piso um solo diferente, a ritmia do coração, a
respiração, o vômito, a diarréia, todas as dores numa só... a emoção do que já
vivi numa vida passada... é preciso limpar e purificar, e sentir a luz depois.
Existe muita coisa além das aparências,
do oba-oba, das frases clichês... E tudo isso só é percebido quando se perde o
medo do julgamento que os outros fazem de nós. Quando se perde o medo de sermos
quem somos.
É só quando se perde o medo de
ser aquilo que se é que a transformação se inicia. Quando se perdoa os próprios
erros, os próprios defeitos... Então, um novo caminho se abre para sermos mais
amorosos e darmos o nosso melhor...
Eu vivi momentos lindos, conheci
pessoas lindas, uma paisagem de um colorido belíssimo!
Que lindo... Aquela cabra que
renunciou à subida da montanha junto ao seu rebanho para ficar com seus dois
filhotinhos, que não conseguiam subir! Isso não pode ser registrado pela lente
fotográfica...
O choro do camelo não me sai da memória... Aquele camelo sentado
com ares de cansado e que apanhava do beduíno para se levantar e levar mais um
turista para passear e tirar fotos... Isso o celular não registra... Uma máquina
não fará por você o que só você pode fazer!
Marisa
março 2017