sábado, 21 de novembro de 2015

O VERDADEIRO PLANO B



O VERDADEIRO PLANO B


Quando elaboramos um projeto achamos que estamos projetando o Plano A. A seguir pensamos num Plano B, caso as coisas fujam do controle. No entanto, estamos enganados. Por mais planejamento que façamos, aquele nosso Plano A, na verdade, é o nosso Plano B, pois só será aplicado caso nada saia do controle, ou seja, caso todas as variáveis fiquem estáticas no tempo, o que é praticamente impossível nos dias atuais.

Intuição e criatividade são faculdades preciosas aos gerenciadores de projetos de hoje, quando tudo pode inverter de um minuto para outro, quando o imprevisível é o mais previsível.

Não se pode mais conceber projetos estáticos. Não se pode impedir que nossos olhos enxerguem os caminhos que nossa obstinação nos impede de ver. Mais que tudo, é preciso estar aberto às novas possibilidades que passam por nós como um cavalo branco à espera de quem o monte...

Sem graça é aquilo que acontece como planejamos!
Excitante, desafiador e prazeroso é aquilo que acontece inesperadamente.
Não somos Deuses, não temos o mundo a nossos pés! Só Ele o tem... E assim como a intuição e a criatividade, a espiritualidade também não pode ser deixada de lado em nossos projetos. E para que isso aconteça precisamos esvaziar nossas cabeças das idéias ultrapassadas de SUCESSO e LUCRO, como se fossem sinônimos. Não são.

Vejam o que aconteceu em Mariana (MG) em novembro de 2015 com a empresa SAMARCO. A empresa ganhou prêmio em 02.07.2015 (Revista Exame) como a segunda maior empresa do setor e 10ª entre as principais exportadoras do país- Na reportagem consta “Isso reflete o bom trabalho que vem sendo feito na empresa aliado a um planejamento criterioso...”

Pergunto: - Será? 

Os fatos respondem que não. A lama, os corpos humanos, e a mortandade dos animais, sobretudo dos peixes mostram quantas vidas foram jogadas para debaixo do tapete como migalhas indesejáveis!

Mas como a espiritualidade entra em um projeto?
Entra como uma valoração da meta de LUCROS, PROFIT, ou qualquer outra palavra que vise apenas o famoso din-din...
Os meios não podem mais justificar os fins, sob pena de todo o lucro vazar pelo ralo, como uma avalanche, gerando um “carma” financeiro e espiritual para a empresa. 

Precisamos entender, de uma vez por todas, que tudo está interligado e todo projeto deve ser repensado.  Esse é o Plano B que deve ser implantado imediatamente.
- Isto é bom para todos, ou é bom só para a empresa?
- Em que estamos contribuindo socialmente?
- Em que estamos valorizando/destruindo o meio ambiente?

São respostas que não precisam ser colocadas no papel nem endereçadas a nenhum órgão governamental, mas precisam ser respondidas no silêncio preto enlutado de todos os corações.


domingo, 8 de novembro de 2015

MARIANA



MARIANA SOB A LAMA

De repente tudo pode desabar...
Assim como Pompéia soterrou sua rotina sob as lavas do vulcão,
a qualquer momento nossa estória pode ser congelada ou varrida para sempre...

O que não se pode varrer é responsabilidade da reparação dos danos,
a responsabilidade com o meio ambiente,
a dívida que se contraiu com as gerações futuras...
Porque há pesadelos dos quais nunca se acorda!


Marisa

domingo, 1 de novembro de 2015

SOLIDÃO



SOLIDÃO


Não há no mundo quem nunca tenha travado um duelo com a solidão.

Ser solitário por um dia, alguns dias, um período, nos pode ser benéfico para entrarmos em contato com nós mesmos. Refletir.  Mas a solidão crônica, aquela que entristece até os ossos, aquela que, como erva daninha, se apodera e avassala a nossa alma, deve ser combatida, o quanto antes, pois é nossa inimiga.

O primeiro lugar onde ela se instala é nos olhos. Ao invés de olharmos para o futuro, nos tornamos prisioneiros do passado, olhar cabisbaixo, a caminho do cadafalso. Condenados num processo que ainda não terminou, nem vai terminar, mas isso pouco importa, não temos defesa, estamos condenados à solidão e a solidão é só um nome diferente para a morte: nos solidarizamos com Kafka, o escritor, perdemos o rumo, deixamos de ter objetivos. Paranoicamente questionamos a existência, fugimos dos relacionamentos, da realidade.

A seguir, ela desce pela espinha dorsal, região crucial, curva nossas costas, com uma agulha invisível nos faz uma punção entre as vértebras, suga nossas energias, ficamos anestesiados diante da vida. Totalmente desvitalizados, pessimistas, comodistas e apáticos, nossa imagem se torna digna de pena... E, no entanto, se prestássemos atenção, veríamos que ela está rindo... A solidão ri de nós, da figura patética que é um solitário, por mais atroz que seja a sua dor...

São os nossos pensamentos que abrem a guarda, deixando que ela vá se instalando. Aos poucos ela domina nossos braços e nossas pernas. Não conseguimos mais sair de casa, queremos só dormir, esquecer que estamos sozinhos. Não conseguimos mais abraçar ninguém. Achamos que não há qualquer utilidade em abraçar as pessoas, pois todas elas vão nos deixar...

Depois de virar o nosso sorriso de cabeça para baixo, ela nos trava o maxilar, nos tira o paladar, deixamos de ter vontade de comer, nos alimentar... Ela tenta nos enganar, dizendo que tudo tem seu lado bom, estamos ficando mais magros, esbeltos... No fundo, ela ri de nós, sabe que está quase ganhando a batalha.

Em pouco tempo, estamos dependentes dos comprimidos que ela nos receitou para um mal que ela mesma nos causou!  Ela nos dá esperanças de que os remédios vão funcionar, e que, como num passe de mágica, nunca mais ela nos importunará... Assim, perdemos todo o controle sobre nós, damos a ela as rédeas do nosso futuro.

Finalmente, ela toma conta de nosso corpo, nossos órgãos internos, disritmiza nosso coração, produz borboletas em nosso estômago, morcegos no cérebro, passamos a confundir o dia com a noite, temos insônia, qualquer barulho nos assusta... Nosso sangue fica sujo, quase preto, nossas fezes também escurecem, tornam-se duras e se recusam a nos deixar... Só as fezes se recusam a nos deixar, o resto do mundo já nos deixou.

Nos últimos instantes, já não temos medo da morte, estamos tão doentes que chegamos a desejá-la e, depois, sabemos que não teremos ninguém para cuidar de nós, ninguém para trocar nossos lençóis. Então, ela terá triunfado sobre nós.  Estaremos sós.

Assim age a solidão, ela sempre lhe conta um história trágica. Você acaba acreditando e, no final, você chora, e ela ri !!!!