terça-feira, 15 de dezembro de 2015

CRÔNICA DA VIDA REAL - REVEILLON 2012

CRÔNICA DA VIDA REAL - REVEILLON 2012

“_ Mãe... Já acabou o Réveillon?
_ Já, meu filho.
_ E agora? O que vai acontecer?
_ Nada, continua tudo igual...
_ ...! (carinha de decepção)”

(Diálogo entre minha filha Betânia e meu neto Théo, de três anos, no Réveillon de 2011 para 2012)

Passei meu Réveillon de 2011 para 2012 em Jundiaí em companhia de minha filha Betânia, meu genro Fernando e meus netinhos: Théo e Nina.

A princípio o plano era outro: ia para Curitiba num pacote turístico em companhia de minha tia Maria Elisa e mais umas quarenta pessoas. O Réveillon iríamos passar em um clube muito chique, com muita folia, baile, dança, ceia e fogos... E depois iríamos aproveitar o dia livre para visitar nossos parentes que moram por lá, sobretudo o Norton e o Paulo Sérgio que estão doentes...

Como a vida é cheia de surpresas, tia Maria Elisa nos surpreendeu com um enfarte alguns dias antes da viagem... Ficou internada na UTI do hospital. Medicação, observação, exames... Enfim, cancelamos tudo. Mas graças a Deus ela saiu e passou o Ano Novo em casa, com a família.

Nesse intervalo, quando a tia ainda estava hospitalizada, a Betânia me convidou para ir para Jundiaí, onde mora. Fui!

O Fernando fez uma comidinha simples, mas uma delícia! Depois estourou uma champagne na varanda. O Théo acho que nunca tinha visto estouro de champagne, achou o maior barato! Ficou todo animado... Nos olhinhos... Uma expectativa enorme!

A televisão mostrava na tela a contagem regressiva, e o Théo contava conosco: 9,8,7,6,5,4,3,2,1...
FELIZ ANO NOVO!!!!!!

Nos abraçamos, nos beijamos.... O primeiro ano novo da Nina!!!! E eu agradeci a Deus por estar junto deles...
E não demorou muito para o Théo sair com essa:

_ Mãe... Já acabou o Réveillon?
_ Já, meu filho.
_ E agora? O que vai acontecer?!
_ Nada, continua tudo igual...
_ ...! (carinha de decepção)

É, para alguns continua tudo igual mesmo...
Porque durante o ano acontecem muitas coisas que nunca aconteceram antes: um enfarte ou o nascimento de uma criança, uma irmãzinha nova...
E muita coisa muda, com certeza....
Mas as mudanças que acontecem na vida nos convidam a mudar com elas,
E se não mudamos... Continua tudo igual mesmo!



Marisa 2011/2102


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ESPERANÇA DE NATAL


ESPERANÇA de NATAL


O ano acabou... E como estou?
Desempregado. Despejado. Abandonado e mal amado.
Faminto... Lamento, é assim que me sinto!
Quisera eu visitar o seu site e lá me hospedar até a crise passar!
Mas não vai dar, nem pra internet está sobrando...

Contudo, estou feliz...
Pelo muito que fiz com aquilo que me foi dado,
Feliz por não ser um imigrante...
Por não ter um nariz grande...
Por não ser um soterrado...
Exceto pelas dívidas!
Feliz por estar aqui...
E não quero rimar Brasil com puta que pariu,
Feliz pelo país tropical, acolhedor...
Feliz pelo corpo são, sem dor...
Como é possível? Não sei...
Talvez isso faça parte da magia do Natal!
Da esperança que me invade quando
Vejo uma estrela me espiando lá do céu...
Uma estrela guia,
Anunciando a chegada daquele que virá para nos salvar!
Assim seja!
Amém!

Marisa


sábado, 21 de novembro de 2015

O VERDADEIRO PLANO B



O VERDADEIRO PLANO B


Quando elaboramos um projeto achamos que estamos projetando o Plano A. A seguir pensamos num Plano B, caso as coisas fujam do controle. No entanto, estamos enganados. Por mais planejamento que façamos, aquele nosso Plano A, na verdade, é o nosso Plano B, pois só será aplicado caso nada saia do controle, ou seja, caso todas as variáveis fiquem estáticas no tempo, o que é praticamente impossível nos dias atuais.

Intuição e criatividade são faculdades preciosas aos gerenciadores de projetos de hoje, quando tudo pode inverter de um minuto para outro, quando o imprevisível é o mais previsível.

Não se pode mais conceber projetos estáticos. Não se pode impedir que nossos olhos enxerguem os caminhos que nossa obstinação nos impede de ver. Mais que tudo, é preciso estar aberto às novas possibilidades que passam por nós como um cavalo branco à espera de quem o monte...

Sem graça é aquilo que acontece como planejamos!
Excitante, desafiador e prazeroso é aquilo que acontece inesperadamente.
Não somos Deuses, não temos o mundo a nossos pés! Só Ele o tem... E assim como a intuição e a criatividade, a espiritualidade também não pode ser deixada de lado em nossos projetos. E para que isso aconteça precisamos esvaziar nossas cabeças das idéias ultrapassadas de SUCESSO e LUCRO, como se fossem sinônimos. Não são.

Vejam o que aconteceu em Mariana (MG) em novembro de 2015 com a empresa SAMARCO. A empresa ganhou prêmio em 02.07.2015 (Revista Exame) como a segunda maior empresa do setor e 10ª entre as principais exportadoras do país- Na reportagem consta “Isso reflete o bom trabalho que vem sendo feito na empresa aliado a um planejamento criterioso...”

Pergunto: - Será? 

Os fatos respondem que não. A lama, os corpos humanos, e a mortandade dos animais, sobretudo dos peixes mostram quantas vidas foram jogadas para debaixo do tapete como migalhas indesejáveis!

Mas como a espiritualidade entra em um projeto?
Entra como uma valoração da meta de LUCROS, PROFIT, ou qualquer outra palavra que vise apenas o famoso din-din...
Os meios não podem mais justificar os fins, sob pena de todo o lucro vazar pelo ralo, como uma avalanche, gerando um “carma” financeiro e espiritual para a empresa. 

Precisamos entender, de uma vez por todas, que tudo está interligado e todo projeto deve ser repensado.  Esse é o Plano B que deve ser implantado imediatamente.
- Isto é bom para todos, ou é bom só para a empresa?
- Em que estamos contribuindo socialmente?
- Em que estamos valorizando/destruindo o meio ambiente?

São respostas que não precisam ser colocadas no papel nem endereçadas a nenhum órgão governamental, mas precisam ser respondidas no silêncio preto enlutado de todos os corações.


domingo, 8 de novembro de 2015

MARIANA



MARIANA SOB A LAMA

De repente tudo pode desabar...
Assim como Pompéia soterrou sua rotina sob as lavas do vulcão,
a qualquer momento nossa estória pode ser congelada ou varrida para sempre...

O que não se pode varrer é responsabilidade da reparação dos danos,
a responsabilidade com o meio ambiente,
a dívida que se contraiu com as gerações futuras...
Porque há pesadelos dos quais nunca se acorda!


Marisa

domingo, 1 de novembro de 2015

SOLIDÃO



SOLIDÃO


Não há no mundo quem nunca tenha travado um duelo com a solidão.

Ser solitário por um dia, alguns dias, um período, nos pode ser benéfico para entrarmos em contato com nós mesmos. Refletir.  Mas a solidão crônica, aquela que entristece até os ossos, aquela que, como erva daninha, se apodera e avassala a nossa alma, deve ser combatida, o quanto antes, pois é nossa inimiga.

O primeiro lugar onde ela se instala é nos olhos. Ao invés de olharmos para o futuro, nos tornamos prisioneiros do passado, olhar cabisbaixo, a caminho do cadafalso. Condenados num processo que ainda não terminou, nem vai terminar, mas isso pouco importa, não temos defesa, estamos condenados à solidão e a solidão é só um nome diferente para a morte: nos solidarizamos com Kafka, o escritor, perdemos o rumo, deixamos de ter objetivos. Paranoicamente questionamos a existência, fugimos dos relacionamentos, da realidade.

A seguir, ela desce pela espinha dorsal, região crucial, curva nossas costas, com uma agulha invisível nos faz uma punção entre as vértebras, suga nossas energias, ficamos anestesiados diante da vida. Totalmente desvitalizados, pessimistas, comodistas e apáticos, nossa imagem se torna digna de pena... E, no entanto, se prestássemos atenção, veríamos que ela está rindo... A solidão ri de nós, da figura patética que é um solitário, por mais atroz que seja a sua dor...

São os nossos pensamentos que abrem a guarda, deixando que ela vá se instalando. Aos poucos ela domina nossos braços e nossas pernas. Não conseguimos mais sair de casa, queremos só dormir, esquecer que estamos sozinhos. Não conseguimos mais abraçar ninguém. Achamos que não há qualquer utilidade em abraçar as pessoas, pois todas elas vão nos deixar...

Depois de virar o nosso sorriso de cabeça para baixo, ela nos trava o maxilar, nos tira o paladar, deixamos de ter vontade de comer, nos alimentar... Ela tenta nos enganar, dizendo que tudo tem seu lado bom, estamos ficando mais magros, esbeltos... No fundo, ela ri de nós, sabe que está quase ganhando a batalha.

Em pouco tempo, estamos dependentes dos comprimidos que ela nos receitou para um mal que ela mesma nos causou!  Ela nos dá esperanças de que os remédios vão funcionar, e que, como num passe de mágica, nunca mais ela nos importunará... Assim, perdemos todo o controle sobre nós, damos a ela as rédeas do nosso futuro.

Finalmente, ela toma conta de nosso corpo, nossos órgãos internos, disritmiza nosso coração, produz borboletas em nosso estômago, morcegos no cérebro, passamos a confundir o dia com a noite, temos insônia, qualquer barulho nos assusta... Nosso sangue fica sujo, quase preto, nossas fezes também escurecem, tornam-se duras e se recusam a nos deixar... Só as fezes se recusam a nos deixar, o resto do mundo já nos deixou.

Nos últimos instantes, já não temos medo da morte, estamos tão doentes que chegamos a desejá-la e, depois, sabemos que não teremos ninguém para cuidar de nós, ninguém para trocar nossos lençóis. Então, ela terá triunfado sobre nós.  Estaremos sós.

Assim age a solidão, ela sempre lhe conta um história trágica. Você acaba acreditando e, no final, você chora, e ela ri !!!!





segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A CRIANÇA QUE EXISTE EM MIM


A  CRIANÇA  QUE  EXISTE  EM  MIM




“ Crianças são como girinos otimistas que confinados numa poça d’água de chuva, agitam alegremente a cauda ao sol, sem pensar que no dia seguinte a água rasa secará.”  
(Em Memórias, Sonhos e Reflexões, de Carl Gustav Jung)


A criança que existe em mim ainda acredita na possibilidade de uma tempestade inesperada, 
como as paixões...!

A criança que existe em mim se recusa a empurrar a vida com a barriga, 
como se tudo não passasse de uma água morna, nem quente, nem fria...

A criança que existe em mim é pequena e frágil como um botão em flor, 
e só uma força lá no alto poderá explicar a grandeza que é desabrochar!


Marisa


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

OS IMIGRANTES ESTÃO CHEGANDO

OS IMIGRANTES ESTÃO CHEGANDO
Ano de 2015

Em busca de refúgio. Em busca de asilo. Que Deus abençoe esse povo sofrido, oprimido, faminto que carrega em suas bagagens apenas a esperança que é sua roupa do corpo!



A conta sempre chega e você tem de pagar, por bem ou por mal. É ilusão achar que no plano espiritual é possível ficar inadimplente sem se dar mal. Lá não existe jatinho pro exterior, não existe nome falso em documento adulterado, nem propina para facilitar as coisas... A conta simplesmente chega à sua mesa e você não sai sem pagar. Ponto.

Quando a AIDS surgiu e dizimou milhões de pessoas na África, assim como o vírus do ebola, foi um convite para a solidariedade e compaixão dos países mais ricos e com tecnologia e mão de obra avançada fazerem a sua parte. Muito tempo se passou, até que a doença avançou e começou a atingir o continente europeu e americano. É sempre assim, espera-se a conta a chegar para pagar... Se tivéssemos feito algo enquanto a doença estava no continente africano, a doença não teria chegado até nós. Tivéssemos feito algo pelos refugiados enquanto a guerra estava localizada e limitada a determinadas regiões os refugiados não estariam vindo de tão longe para nos entregar a conta...  São pessoas originárias da Síria, de países africanos onde predomina a fome, a miséria e a opressão de grupos radicais como o Boko Haram e o Estado Islâmico que recentemente estão unidos. No Brasil estão chegando os haitianos.

Sob o pretexto politicamente correto da preservação da soberania nacional, fechamos os olhos para a mutilação dos direitos humanos, para as meninas seqüestradas e vendidas como escravas sexuais, para a tortura, e tantas outras atrocidades que estão sendo cometidas. Como Pôncio Pilatos os países ricos e poderosos pensam se eximirem da culpa fechando os olhos ao que não acontece em seu quintal. Mas quando a conta chegar, teremos que abrir não só os olhos, mas também as mãos, porque ninguém fica inadimplente no mundo espiritual. Lá não existem oceanos separando brancos de negros, lá não existem partidos políticos, religiões... Somos todos seres humanos, somos todos um, e o que um faz ou deixa de fazer interfere no todo. E esse mundo espiritual a que me refiro não é um mundo futuro, que está pra chegar, é simplesmente um mundo que já existe, paralelo a esse da matéria, é um mundo presente agora, mas simplesmente muitos não conseguem ver devido à cegueira avançada.

A conta está chegando. Se os países ricos não criarem condições para que eles permaneçam em suas casas, eles continuarão vindo pedir socorro em nossas portas... Por quanto tempo ficaremos de olhos vendados? Por quanto tempo olharemos de cima para eles? 

Marisa Prado Sampaio 2015


domingo, 16 de agosto de 2015

CRÔNICA DA VIDA REAL - VIDA SAUDÁVEL

CRÔNICA DA VIDA REAL - VIDA SAUDÁVEL

Recebi ontem uma mensagem de minha irmã que me inspirou a fazer essa crônica.

Era uma apologia à simplicidade, uma sátira às inúmeras mensagens que recebemos diariamente pelo facebook, pelo whatsapp ou por emails dizendo tomate previne isso, cebola cura aquilo, chocolate faz bem, uma profusão de descobertas, etc... Sugerindo que deveríamos comer isso, comer aquilo, não comer isso, não comer aquilo, enfim, mudar nossos hábitos para ter uma vida mais saudável...

Sem entrar no mérito dos benefícios do brócolis, da quantidade de água que devemos beber por dia, no final do texto é que veio a parte mais interessante que tinha o subtítulo:

“SEI MUITO BEM O QUE FAZ BEM OU MAL PARA MINHA SAÚDE.
O prazer, o dormir, a leitura de um bom livro, o viajar, os telejornais, o caminhar, o exercitar o autocontrole, o pedir desculpas, o ir ao cinema, o conversar, o exercitar, o humor, os amigos, o economizar, o sonhar, etc...”

Coisas simples que podemos fazer ou evitar para ter uma vida plena e saudável...

Lendo a mensagem, não resisti, e logo respondi:

QUERIDA IRMÃ,

Sabe que ontem pensei nisso?
Estou de pleno acordo, não é só o que entra por nossa boca que nos torna saudáveis, mas as palavras que saem dela, o modo de vida que levamos, as amizades que cultivamos, a importância que damos às coisas simples!

Fico pensando também que doença se esconde atrás dessa busca paranóica de evitar a morte...

Eu cozinho no microondas, acho super prático, mas me disseram que faz mal. Fui pesquisar na internet, e vi que vasilhas de plástico no microondas soltam uma tal de dioxina que é cancerígena...

Continuei pesquisando no youtube sobre utensílios de cozinha e apareceram vídeos dizendo que panelas revestidas com teflon fazem muito mal à saúde e foram proibidas nos EUA... Nossa! Eu só uso frigideira de teflon...

Comecei a ficar preocupada, e quanto mais pesquisas eu fazia no Google sobre “mal à saúde”, mais medo me dava! Tudo que eu fazia e usava era perigoso!

Alumínio também fazia mal, esmalte era tóxico, acredite, até panela de ferro fazia mal, só pessoas com deficiência de ferro deveriam usá-las, porque senão dava excesso de ferritina no corpo e isso fazia mal...
Sobre panelas de barro não achei contra indicações, mas são difíceis de achar, além do peso que, na hora de lavar deve fazer mal para os braços...

Procurei então qual seria a melhor panela para se usar, e apareceram indicações de umas panelas modernas de cerâmica. Carésimas!!!!! Seiscentos, oitocentos reais um conjunto delas. E avulsas mais caro ainda... Essa faria mal para o meu bolso...

Pensei em assar um peixe na folha de bananeira num forno convencional...
Ou, não seria melhor não fazer comida e comprar pronto?

Logo descobri que quase tudo que se compra pronto ou engorda, ou faz mal. Tem conservantes, aromatizantes, muito sódio, gordura trans, glúten, lactose... Nem as frutas e verduras escapam, a não ser aquelas que têm minhoquinhas e lesminhas... Mas não se iluda, porque estas se não forem BEM lavadas, também fazem mal, dão uma bactéria chamada H.Pilory que dá gastrite e úlcera...

Resolvi fazer jejum, achava que era DETOX, e faria bem... Mas vi no youtube um rapaz nutricionista dizendo que o jejum podia ser prejudicial para algumas pessoas levando à anemia e falta de vitaminas. Caramba!

Foi quando li sua mensagem que você me mandou e concordei plenamente:

“SEI MUITO BEM O QUE FAZ BEM OU MAL PARA MINHA SAÚDE.
O prazer, o dormir, a leitura de um bom livro, o viajar, os telejornais, o caminhar, o exercitar o autocontrole, o pedir desculpas, o ir ao cinema, o conversar, o exercitar, o humor, os amigos, o economizar, o sonhar, etc... Coisas simples que podemos fazer ou evitar para ter uma vida plena e saudável...”

E parei de ficar obcecada por ter uma saúde perfeita, o negócio é aproveitar a vida, que adianta comer tudo do bom e do melhor e só falar merda!? Não é mesmo?

Marisa





quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A DESCRIMINALIZAÇÃO DO USO E PORTE DE DROGAS

A DESCRIMINALIZAÇÃO DO USO E PORTE DE DROGAS

No princípio era só um projeto, ainda precisava passar por aprovação, até que os representantes do povo o aprovaram.

A sociedade parecia entorpecida em sua razão, tamanha era a insegurança e medo que a violência gerava.
O governo não se preocupava com o bem estar social por muitas décadas. Na verdade, a ânsia pelo poder era o que comandava seus projetos e ações. A corrupção corria solta apesar de alguns “macacos” terem sido pegos com a mão na cumbuca!

Tudo era minuciosamente orquestrado para manipular o povo e ajudar os políticos a encherem seus bolsos de dinheiro e, para esse fim, qualquer meio seria justificável. Tudo o que precisavam para que o projeto fosse aprovado seria fazer o povo acreditar que as medidas iriam beneficiar a população, conter a escalada do tráfico de drogas e diminuir a violência na sociedade. Para argumentar usavam o exemplo de países que em que já não era crime o porte de drogas para consumo próprio. Omitiam, entretanto que dar o direito de escolha a quem está preparado para escolher é uma coisa, e dar o direito de escolha a quem não tem a mínima condição de pensar por si próprio é como entregar uma arma na mão de uma criança...

O povo não agüentava mais ser o bobo da corte. Recebia ordens dos dois lados: do governo instituído e do poder paralelo. Os chefes dessa máfia, ainda que detidos em presídios de segurança máxima, conseguiam comandar a nação com armas pesadas e um sistema totalitário de concentração de poder, cujas ordens não podiam ser questionadas ou desobedecidas, sob pena de execução sumária com o desaparecimento de corpos. 
Por outro lado, eram respeitados pela comunidade porque faziam a parte social que o governo não fazia. Enquanto os prefeitos sumiam com as verbas das merendas escolares, a máfia do tráfico distribuía cestas básicas às crianças e famílias da periferia.
Enquanto no governo ninguém era fiel a ninguém, pois sempre aparecia alguém que oferecia mais, no submundo o que mais contava era a fidelidade incondicional aos líderes que jamais abandonavam seus fieis seguidores. Pagavam advogados para eles, tratamentos de saúde no exterior, documentos falsos para embarcar, fugir... E ainda que algo falhasse, suas famílias estariam sempre amparadas, usufruíam de um bom seguro de vida vitalício com apólice verbal. Apesar de tudo ser verbalmente contratado para não deixar lastros, tudo era confiável, garantido e comprovado por casos e casos de pessoas que testemunhavam o passado.

Enquanto o governo surrupiava as verbas destinadas à construção de reservatórios de água e deixava a população na mão, o poder paralelo distribuía água por caminhões pipa, seguindo um plano de distribuição perfeito. Sabiam dia e hora em que faltaria água em cada ruela da cidade e avisavam a todos com antecedência. O povo, cansado de protestar e economizar, começou até a colaborar com os furtos noturnos às estações e reservatórios de água estaduais...

A situação foi se agravando com o tempo. As crianças começaram a ser recrutadas pelas organizações criminosas uma vez que eram deixadas a esmo pelas ruas. Eram recrutadas para as mais diversas finalidades. As meninas que não sabiam manusear armas geralmente eram destinadas à prostituição. Na idade de três a quatro anos já serviam para alguma coisa. As mais velhas, às vezes, precisavam ser drogadas para não se rebelarem. Seus pais muitas vezes já se drogavam em casa e isso as impedia de se culparem, afinal, nossos pais são sempre nossos modelos de vida...

Os meninos eram divididos em pequenos e grandes, bobos e saudáveis, gays e futuros líderes. Os pequenos eram destinados a operações criminosas onde possuir um corpo pequeno facilitava as coisas. Aos grandes seria destinado o serviço sujo, eram treinados para serem os futuros “leões de chácara”. Os bobos, mas saudáveis, eram valiosos na cadeia internacional de tráfico de órgãos. Valiam muito dinheiro. Os gays eram distribuídos nas festinhas dos líderes e algumas vezes ficavam cativos por algum deles. Eram conhecidos por sua fidelidade cega. E os futuros líderes eram os carismáticos, aqueles que pareciam já nascer sabendo, tinham o DNA do crime nas veias... Desde crianças eram escolhidos e treinados para desempenharem sua “profissão”. A organização lhes pagava estudos até a faculdade, os capacitava em tudo o que fosse necessário, traquejo social, livre acesso às festas da high society e, muitos deles, através de conchavos eram introduzidos no próprio escalão do governo, em cargos de destaque, e apareciam na TV pedindo apoio para a aprovação do projeto em questão: A DESCRIMINALIZAÇÃO DO USO E PORTE DE DROGAS.

E foi assim que o projeto foi aprovado. Com amplo apoio nacional do povo que pensava: “pior não pode ficar”. O que o povo não sabia era que sempre pode ficar pior. É a lei de Murphy.

Após um ano da aprovação do projeto, o número de jovens viciados aumentou exponencialmente. Muitos desses jovens passaram da maconha para outras drogas mais pesadas porque o “barato” da maconha deixara de ser sedutor. PERIGO- era a coisa mais sedutora que existia. O perigo de se viciar, o perigo de morrer... A droga subia na cabeça da juventude como um rojão. Quem não consumia sofria bullying nas escolas. Era perseguido, humilhado, não recebia convites para as festas e os dedos-duros eram executados à pauladas e chutes pelas gangues das drogas.

Misteriosamente as instituições de polícia e judiciário absolviam esses criminosos que voltavam impunes para seu habitat para perpetuar o caos.

O governo então, já que não podia competir com o poder paralelo que era muito mais forte e organizado, decidiu a ele se aliar. Foi uma rendição tácita. O famoso “vê que cai, deita!” Era visível a força do poder paralelo. Suas armas eram modernas, de grosso calibre, derrubavam helicópteros a longa distância! Tinham drones, desde os mais simples que levavam celulares nos presídios até os mais sofisticados que podiam destruir satélites! Dinheiro era o que não faltava para eles, mas quem desviasse algum era punido com a própria morte! Tudo tinha um destino certo. Não poupavam verbas para capacitar seus membros. Investiam em tecnologia. Enviavam jovens para as melhores universidades do mundo para desenvolver suas habilidades e servirem à organização. E nem precisava de FIES (financiamento estudantil), tudo seria pago em fidelização à organização, futuramente sabiam que seriam recrutados para provarem na prática suas habilidades.

Foi assim que toda a nação caiu num buraco negro inexplicável!

O governo passou a ser o “traficante mor”, “o cabeça” como diziam alguns. Dominava e manipulava o povo através do vício nas drogas. A população desesperada fazia qualquer coisa por um cartão magnético BOLSA-DROGA.  A fome era degradante, mas o vício era ainda mais... Na fome o indivíduo levava um tempo maior para morrer porque ficava resistente a ela. No vício, especialmente quando era o crack, a morte vinha rapidinho. E o governo ficou “crack” em estirpar da nova sociedade os jovens rebeldes que a ela não se adaptavam, ou seja, não queriam se viciar! Só permaneciam vivos os que colaboravam!
O salário deixou de existir. O governo provia o necessário para a sobrevivência e controlava o grau de vício dos cidadãos através de circuitos de TV e câmeras na internet. Existia um limite de vício que não podia ser ultrapassado para aqueles que ainda eram úteis ao governo. Para os demais o vício era incentivado subliminarmente, pois a morte deles pouparia ao governo muitos gastos.

Foi dessa maneira que a sociedade virou um grande rebanho de ovelhas. Carneirinhos obedientes... E viciados. Ninguém mais protestava por nada. Só produziam para obter suas rações de droga. Sabiam que tudo estava dominado e, o que fazer numa situação dessas? Quando quem deveria defender o povo era justamente aquele que se debandou para o lado da bandidagem?

O medo era geral, muitas contas estavam sendo pagas com cabeças cortadas. O livre arbítrio desapareceu. Consciência lúcida era uma ficção. Degradação era a palavra certa que definia aquele momento histórico que futuramente seria batizado como a SEGUNDA IDADE DAS TREVAS.


       Marisa Prado Sampaio

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O DESERTOR DA VIDA - Crônica

O DESERTOR DA VIDA - Crônica


Quem viveu todos seus dias sem nunca ter pensado sobre a morte?

Não aquela morte utópica, filosófica, mas uma morte concreta em que se imagina o meio pelo qual se decide morrer...
Alguns optam pelo enforcamento, outros por uma arma de fogo... Há aqueles que preferem uma bebida mortífera, há quem se jogue da ponte, do penhasco, do apartamento... Se afogue no mar ou na banheira, não importa...  Há aqueles que se afogam na bebida, nos vícios, destroem a saúde e se matam aos poucos... São infinitas as formas de morrer! Mas há algo em comum a todos suicidas, nenhum deles deseja sofrer... que seja breve o instante da morte! Não podemos demorar, ter tempo de voltar atrás. A morte não tem espaços para o arrependimento.

Orfeu era um suicida que não queria aparecer, só queria desaparecer desapercebidamente... Não queria dar trabalho nem despesas para seus familiares. Não queria ser um estorvo na vida de ninguém.
Estava já com 94 anos... Julgava-se feliz por tudo o que conquistara na vida, realizara muitos sonhos, e sentia que não tinha mais nada a fazer no planeta Terra.
Todos os dias conversava com a Morte, que se fazia de desentendida e não lhe dava ouvidos.
Orfeu tomava muitos remédios para preservar a vida, gastava quase todo o valor de sua aposentadoria comprando comprimidos, eram mais de dez por dia. Alguns em jejum, outros depois do almoço, alguns ao se deitar... Cada dia fica mais difícil saber e controlar o horário dos remédios, quais deveriam ser em jejum, quais com água, leite, etc...
Uma grande tristeza se abateu sobre Orfeu quando sua esposa adoeceu. Agora, além dos seus remédios, ele tinha de controlar os dela cuja memória estava bem pior que a dele. Ela que sempre cuidara dele, com tanto carinho e esmero, agora precisava de cuidados... Por essa Orfeu não esperava e não estava preparado. Isso o desanimava.
Orfeu era preguiçoso, gostava de tudo nas mãos, gostava de dar ordens, de ser servido. Tinha de dar um jeito de se safar da vida, de uma maneira que ninguém percebesse...

Decidiu então morrer de uma maneira omissiva. Simplesmente não tomaria mais nenhum dos remédios que o médico lhe prescrevera. Como tinha problemas de coração, de pressão, acreditou que em menos de um ano morreria e estaria livre das tantas obrigações e tristezas da vida. Queria partir dessa vida antes da esposa, não estava preparado para a solidão, para viver só, tinha verdadeiro horror de viver sozinho... O medo tomava conta de seu ser cada vez que pensava nisso.

Ninguém poderia acusá-lo de covardia, ninguém perceberia que havia se suicidado. Todos chorariam sobre seu corpo e se lembrariam dele como um homem trabalhador, guerreiro, amoroso, sensível, etc...
Todos os dias pegava os comprimidos que sua filha gentilmente separava em saquinhos  e fingia tomá-los, colocava-os na boca, mas não os engolia. Disfarçando tirava-os da boca, jogava na privada e dava descarga... Plano perfeito. Jamais seria descoberto.
Dia após dia, meticulosamente seguia seu plano. Acreditava que em menos de um ano já teria partido dessa vida.
Sabedor de seu triste futuro, procurou deixar tudo em ordem, resolveu problemas que arrastava por décadas, doou o que queria doar, procurou pessoas de quem julgou que sentiria saudades, pediu perdão àqueles a quem julgou ter ofendido, agradeceu àqueles que lhe haviam prestado favores e a quem nunca havia agradecido... Pagou suas contas. Olhou com outros olhos o dia-a-dia enfadonho, que em breve não teria mais... Ficou mais permissivo com os netos, mais condescendente com a esposa que adoecia de uma maneira assustadora...

Nos primeiros dias teve um piripaque, chegou a ir ao Pronto Socorro, agitou toda a família... Pensou até em desistir do plano. Mas quando voltou para a casa e fez uma retrospectiva da vida, voltou a achar que não valia a pena mais fazer tanta hora extra nesse planeta tão deteriorado, onde os homens estão corrompidos, onde não há mais valores, ética, etc...

Ligou a TV e ouviu a notícia do jovem que matou e esquartejou a tia, da roubalheira dos políticos, das crianças abandonadas nas ruas, meninas sendo prostituídas.
Deu o horário, e mais dois comprimidos foram descartados e jogados na privada, ninguém percebeu. Acreditavam que Orfeu ia ao banheiro porque já não conseguia segurar a urina.

Na verdade, não conseguia mesmo, mas não conseguia segurar muitas coisas, já não tinha tempo para fingir afeições, falava o que lhe vinha à cabeça, doesse a quem doesse...

Para passar o tempo mais rápido decidiu escrever um livro de memórias. Contava muitos causos engraçados, queria ser lembrado com alegria... Contava também as dificuldades superadas, a vida sofrida. Queria ser lembrado como alguém que lutou o bom combate, jamais como um desertor da vida...

Após alguns meses sem tomar as medicações sentiu um tremor estranho, a vista turva, as pernas não obedeciam, pensou: Finalmente meu plano está funcionando, falta pouco!

Mas logo depois, trouxeram-lhe um copo de água e a confusão mental desapareceu. Orfeu começou a beber mais água do que o normal, pois quando ia ao banheiro fazia mais xixi e aproveitava para jogar os comprimidos fora.

Com a ingestão de tanto líquido, sentia menos fome, procurava selecionar melhor o que comia. Perguntava a si mesmo o que gostaria de comer como sua última refeição, ia a restaurantes, e nunca se importava com o preço, pois dinheiro era pra gastar e não para deixar a herdeiros que por ele iriam brigar...

Um a um foi realizando seus sonhos, deixou de ser orgulhoso, pedia ajuda quando precisava. Ajudou tantas pessoas na vida, agora chegara a sua vez de ser ajudado!

O tempo foi passando. Três, quatro, cinco, seis meses sem os remédios no corpo... Olhou-se no espelho, sua pele estava viçosa, seu olhar radiante, algo estaria dando errado?

As tremedeiras, as tonturas, o cansaço, todos esses sintomas foram ficando cada vez mais espaçados, e tudo aquilo que o afligia antes agora estava distante... Afinal, o que poderia afligir uma pessoa que está prestes a morrer? Todos os problemas se tornavam pequeninos diante da morte!

Para não ficar ansioso, decidiu não contar mais os dias e as horas, jogou no lixo o relógio bonito que havia ganhado no dia dos pais... O relógio era pra não perder o horário dos remédios, mas que remédios? Tudo ia para o vaso sanitário! Sabia que era hora de almoçar porque tinha fome, sabia que era hora de dormir porque tinha sono, aprendeu a ouvir e respeitar seu corpo.
Vivia cada dia como se fosse o último, e estranhamente ao invés de nostalgia, sentia alegria... Isso não fazia parte do plano! Onde estava a depressão que o acompanhava nos últimos anos? Onde estava o cansaço que o fazia dormir quase o dia todo?  Começou a sentir vontade de andar, de ouvir música, foi até rever um amigo que era compositor...

O amigo quando o viu se espantou. Perguntou-lhe que remédio estava tomando por estar tão bem, rejuvenescido... Isso o deixou encabulado, seu plano estava dando errado! Não acreditava no que estava acontecendo, pois todos lhe diziam obstinadamente que não podia esquecer de tomar os remédios senão poderia morrer!

Assim seguiram-se os dias, Orfeu cada dia mais vibrante com a vida, os sonhos e ideias voltavam a brotar em seu coração como na juventude. Apesar de seu corpo não ter mais aqueles impulsos e arroubos, seu espírito era de um jovem. Tornara-se um homem lúcido, comedido, sensato, com domínio de si mesmo e tolerância e simpatia para com os outros. Usava seu tempo para ser útil a quem estava por perto.

Finalmente, foi no dia do seu aniversário de 95 anos que percebeu: seu plano realmente teve um final imprevisto, a ausência dos remédios, ao invés de matá-lo, o curou. Foi a procura da morte que lhe trouxe a vida e chegou à conclusão de que o plano de Deus nunca falha... Mesmo quando dá errado, dá certo!
E foi pensando isso, distraído e feliz que a morte o encontrou. Atravessando a rua. Morreu atropelado.
Ironias da vida. Atravessando a rua, quem diria que seria assim sua travessia? Do outro lado da avenida ele sorria, não morria, vivia!!!!
Ironias da vida... Não teve tempo para voltar atrás, e a morte não tem espaços para arrependimentos...


 Marisa

terça-feira, 11 de agosto de 2015

AMANTES DO DIREITO



AMANTES DO DIREITO

_Amor...se você me deixar eu  vou apelar !


_Vou ao Superior se necessário for !
Porque afinal... você merece um Recurso Especial !

_Por você , meu amor, eu vou ao Supremo Tribunal,
É meu  direito constitucional o devido processo legal !

_Amorzinho...

Peço clemência, você não pode me condenar,
 e o princípio da inocência? 
E depois, quem alega tem que provar....
_Quero apresentar minha contestação,
Pois não são verdadeiros os fatos alegados!
Não dê ouvidos à oposição.
 No meu coração não existem
terceiros interessados....

_Paixão da minha vida...

Só a nós diz respeito a nossa relação jurídica!

_Olha pra mim...você não vê?
Então tente me escutar,

Eu preciso de uma sustentação oral,
Vou enlouquecer sem você...
Melhor seria me executar !
Podemos fazer um acordo?
Ou  prefere um acórdão do Tribunal?

_O juiz vai tentar a conciliação ,
O que você vai dizer?
Não diga “não”....

_Ah...está tão frio...!
Vem cá vai...
Vamos deixar essa lide pra lá....?

O réu nesse momento

FURTA um beijo da autora


 E o que aconteceu?Quer saber?

_Vai fazer carga no processo “meu”!


 Extinção do processo
Sem julgamento do mérito:

A autora desistiu da ação


_Esse réu....!  É mesmo “ 171”  !!!!


Marisa

 


quinta-feira, 23 de julho de 2015

QUANDO DEUS ROMPE O SILÊNCIO


QUANDO DEUS ROMPE O SILÊNCIO 

Existem vários tipos de silêncio.
Há aqueles que silenciam com raiva. É o famoso “engolir sapo”. São situações em que praticamente somos obrigados a silenciarmos, apesar de não concordarmos.
E esse silêncio nos corrói por dentro.

Há aqueles que silenciam por desânimo. Já falaram tantas vezes sem obter resultado que foram vencidos pelo cansaço. Não acreditam mais que suas palavras possam mudar alguma coisa.
E esse silêncio pesa na alma.

Há aqueles que silenciam com a espada. Seus olhos faíscam como os dragões do mal.
Na realidade, não estão em silêncio, apenas não estão usando palavras. Se usassem, elas seriam mortíferas, pois não há vida em seus corações.
Esse é o silêncio que mata.

Há aqueles que silenciam por amor e compaixão e só com o olhar transmutam situações violentas e paralisam o mal. E é quando pessoas assim silenciam que Deus começa a falar...
Esse é o silêncio que liberta!

Marisa


terça-feira, 21 de julho de 2015

FAZENDO PÃO

  FAZENDO PÃO 

O pão é sagrado. É alimento, vida!

Às vezes temos a impressão de que
Nossa vida está empacada, não sai do lugar,
Nos sentimos deprimidos e encurralados,
Nada acontece, e o mundo nos cobra...

Mas isso é ilusão!
Quando a massa do pão cresce
É aí que tudo acontece,
Aqueles bichinhos que nem vemos,
Cujo nome é fermento,
Eles lutam por nós no interior da massa para
Produzir o milagre do pão!

Quando a criança adormece
É aí que ela cresce...
Quando ela se entrega ao mundo onírico,
E se deita nas mãos do criador...

Toda criança esperneia antes de dormir,
Chora, grita...
Mas nada disso adianta,
O sono vem, porque o corpo pede...
Ela dorme, por mal ou por bem...

Bater na massa, jogar pra cima,
Jogar pra baixo, correr pra cá e pra lá,
Jogar farinha em cima... Nada disso fará a massa crescer e ficar levinha...

É preciso deixar a massa quietinha e ESPERAR... Ter fé!
Vai ouvir uma musiquinha enquanto isso...
Tudo o que tiver de acontecer
Acontecerá, mas é no INTERIOR da massa!
Porque é de lá que vem o crescimento...

Quando você menos esperar,
Já será hora de assar!
Seu pão ficará bonito e saboroso!
Me convide para provar!

Marisa








quinta-feira, 11 de junho de 2015

UM NAMORANDO

UM  NAMORANDO


Como dizem os tribalistas:
“ Já sei namorar, já sei beijar de língua...” ,
 Agora só me falta o óbvio:
Um namorado !

Pensando bem, prefiro um namorando...
Namorado é particípio passado,
Está terminado...!

Prefiro o Armando... Fernando... Orlando...
Alguém com cara de gerúndio,
Que dê continuidade, ainda que,
de maneira impermanente!
Não gosto de gente que mente...

Todos nós precisamos de alguém,
Precisamos ser totalmente conhecidos por alguém...
Fazer strip-tease...!
É sedutor despir da alma o medo, a vergonha,
Todos os nossos segredos mais secretos!

As pessoas estão sempre perto da gente,
Nos ônibus lotados, nas filas dos supermercados,
São clientes, pacientes...
Nós é que estamos  sempre com pressa!

Desconhecidos vizinhos!

Todos vulneráveis à mesma dor e ao mesmo prazer...

Por que é que tão poucos bebem da taça do AMOR?

Marisa


segunda-feira, 1 de junho de 2015

SER SEM MEDO

SER SEM MEDO

Existe alguma coisa mais bonita do que ser sem medo?

Ser com medo é ser amarrado, acorrentado, escravizado, triste...
O ser sem medo é alegre, é criança, é esperança...
A diferença é gritante...
Há um grito sufocado dentro de cada um de nós!
Quisera eu poder libertar todos os seres humanos de seus medos,
Quisera eu poder me libertar de meus próprios medos!


Marisa 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

ENCONTRO DA FAMILIA SAMPAIO - Curitiba 2015


Mensagem especial
A vida de todos nós é uma incógnita. 
Hoje estamos vivos, amanhã ninguém sabe.

O famoso "eu não posso me comprometer" é a causa de tantas falências empresariais. Quando os funcionários não vestem a camisa da empresa o lucro vai para o ralo e sempre surgem os sabotadores.
A família pode ser vista como uma empresa, pois é um sistema muito parecido. Sem comprometimento nada cresce nem se desenvolve. O amor sem comprometimento é um fogo de palha... Acaba.

E o que é se comprometer?
É olhar o interesse do outro, do grupo a que você pertence. E não se trata de interesse financeiro, mensurável, palpável... Para muitos, esses interesses não existem porque não são VISIVEIS.
Muita coisa acontece além do nível da matéria quando DUAS pessoas se unem... O que se dirá de uma família?
Lá, celebraremos a vida, a gratidão, a comunhão, nos lembraremos daqueles que partiram desta vida, mas continuam vivos em nossos corações. Por outro lado, assim como o encontro passado foi o último encontro do Paulo Sergio, esse pode ser o meu ou o seu último encontro.
É o fluir da vida... Não estou sendo pessimista, só realista, e é só quando compreendemos isso, a extrema fragilidade da VIDA, que damos valor a ela e às pessoas que amamos
E eu amo a minha família, com todos seus defeitos, com todas suas qualidades e com todas as peças raras que fazem parte dela...
A minha família é a minha cara! Pode ter certeza que não foi por acaso que eu nasci aqui...
No Encontro receberemos muitas bênçãos, muita energia da egrégora SAMPAIO. 
Mas isso é uma coisa tão boa, tão boa, que talvez realmente não seja para todos... E com certeza Deus sabe o que faz...
Beijos de quem te ama
Marisa
13.02.2105


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O MEDO BOM


O MEDO BOM

O medo bom é aquele que você encara para ser quem você é...

O medo ruim é aquele que o impede de ser quem você é porque não quer perder o amor dos outros. Puro ego!

 Afinal, todo mundo quer sair bonito na foto. Pura vaidade! Medo de desapontar papai e mamãe e ficar de castigo, medo de ser abandonado, medo de que nos deixem sozinhos, medo de não sermos o que eles gostariam que fôssemos... Medo de sentir a raiva que sentimos e que é tão feio!

O importante não é como saímos na foto que vai ser postada, o importante é como você é de fato.

Quando a gente se encara e se apaixona por aquilo que se é, sem editar a nossa história acabamos sendo bonitos porque somos inteiros e não uma versão comercial de nós mesmos.
Isso atrai as pessoas certas para nossas vidas, e não as pessoas erradas que eram as pessoas certas para a versão editada...
Sorrimos sem medo do que os outros vão pensar de nós, sem  medo de que a nossa grandeza possa humilhar os demais, sem medo da impermanência da felicidade...

Se você não quer correr o risco de desapontar ninguém, seja você mesmo, porque não há desapontamento maior do que tirar a máscara no final da história!
Marisa 2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

EU SEMPRE ESTAREI AQUI PARA CUIDAR DE VOCÊS

CRÔNICA DA VIDA REAL

EU SEMPRE ESTAREI AQUI PARA CUIDAR DE VOCÊS!



Tenho poucas amigas da minha idade que ainda possuem pai e mãe vivos. Considero-me uma pessoa privilegiada!!!!

Ontem eu fui almoçar com meus pais. Procuro visitá-los pelo menos uma vez por semana, eles são velhinhos, meu pai vai fazer 90 e minha mãe 80...

Minha mãe anda esquecida... Mas ontem durante o almoço ela falou algo que tocou profundamente meu coração...

Discutíamos o assunto da velhice, ficar “gagá”... Eu dizia que qualquer um pode ficar gagá de uma hora pra outra... E eu dizia também que iria fazer uma poupança para pagar um asilo quando eu ficasse velhinha... Foi aí que minha mãe saiu com essa:
_ Pra quê asilo? Eu vou estar sempre aqui para cuidar de vocês!
Na hora eu nem liguei para o que ela disse, imaginei que seria algum sintoma da velhice, mas quando voltei pra casa, eu repensei...

Aquela frase não me saía da cabeça... _ Eu estarei sempre aqui para cuidar de vocês!  Como minha mãezinha pode dizer isso, se ela já está quase 80 anos?
Quando eu ficar velhinha ela já estará no céu...
Minha mãe é uma das poucas pessoas que tenho certeza que irá direto pro céu quando morrer, sem passar por purgatório...
Foi aí que uma luz se acendeu no meu coração!
Uma luz que me invadiu e me deixou muito feliz...
Uma luz que me disse que minha mãe sempre iria olhar por mim onde quer que ela estivesse e que esse amor que ela sente por nós, e nós por ela NUNCA irá se acabar!!!!

                                                                                                              Marisa 2015