segunda-feira, 23 de setembro de 2024

AO MAESTRO COM CARINHO



AO MAESTRO COM CARINHO

 

Tem coisas que não têm preço...

Realizar um sonho, por exemplo, é uma delas!

 

Perceber que somos capazes!

Sentir que estamos juntos e que

juntos podemos realizar muitas coisas,

muitos sonhos...

Transformar a nós mesmos

em algo que vai além da música,

além de nós!

 

Agradecemos a você por ter nos conduzido a esse aprendizado,

e a acreditar em nós!

 

OBS- Dedicada ao maestro Natan Badue, que conduziu o coral CT SINGERS a diversas apresentações, entre elas a pocket ópera Der Freischütz (O Franco atirador), no antigo Clube Transatlântico ocasião em que tivemos a oportunidade de cantar em alemão, ao mesmo tempo em que representávamos os personagens. Inesquecível!!!

 

Se uma cigana ou vidente tivesse me dito que me via cantando uma ópera em alemão, eu daria MUITAS GARGALHADAS de incredulidade... Pois eu não só cantei em alemão, como representei o personagem... Coisas impossíveis acontecem!!!

 

Marisa


REGENERAÇÃO




REGENERAÇÃO 

Obrigada por ter me deixado seguir as minhas escolhas mesmo sabendo que eu ia cair...

E quando eu caí, obrigada por não ter dito: “Eu bem que lhe avisei”

Obrigada por ter me deixado seguir por caminhos tortuosos, dolorosos, perigosos...

Obrigada por me fazer acreditar que a coragem  que havia em mim era coragem e não IMATURIDADE...

Obrigada por todas as pessoas que conheci, por estar aqui, e por saber que você estava em cada uma delas, mesmo quando eu estava a sofrer. 

Obrigada pelo amor que nunca lhe dei, apesar do bem que você sempre me quis...

Obrigada por me fazer saber que tudo tinha de ser como foi...

Obrigada pelas flores que não colhi para você, 

pelas músicas que não ouvi com você, 

pela dança que não dancei com você...

Obrigada pela consciência do tempo perdido e pela regeneração...

Obrigada pelo amor que tenho ao meu irmão que segue por caminhos tortuosos, dolorosos e perigosos...

Marisa



quinta-feira, 19 de setembro de 2024

A TRISTEZA MAIOR

 


A TRISTEZA MAIOR


A tristeza maior não é quando as lágrimas caem,

Mas quando elas secam e não caem mais…


Sinal de que ela e a desesperança tomaram conta de nós…


Nosso olhar fica distante,

Nossa voz monótona,

Nossos gestos robóticos,


Apenas cumprimos a agenda sem entusiasmo,

Apenas colocamos um pé na frente do outro e seguimos, sem nos importar pra onde…


A tristeza maior não é a luta inglória,

Mas termos desistido da luta e de nós,


A tristeza maior não é o cansaço,

Mas aquilo que nos paralisou por dentro e por fora e nos tornou impotentes…


A tristeza maior é deixar de ser rio, deixar de fluir para o oceano, de seguir caminhos sinuosos, de desviar de pedras, tornando os vales e planícies mais bonitos …


A tristeza maior é nos contentarmos em ser poça d’água barrenta, que não serve pra nada, que não tem peixes… À espera de que o sol apareça e nos torne invisíveis.


Marisa 2024

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

PRAZO ESGOTADO



PRAZO ESGOTADO

 

 Nunca fique com nada que não é seu.

Nunca invada a propriedade alheia, o espaço alheio, o coração alheio, o corpo alheio.

 Nunca se aposse de coisas que não são suas.

Se quiser ficar com elas, usufrua delas como sendo algo que lhe é emprestado e que a qualquer momento poderá lhe ser solicitada a devolução.

 Ninguém é dono de ninguém.

O amor das pessoas nos é apenas emprestado.

A qualquer momento o Universo poderá nos solicitar a devolução do ser amado, através de um acidente, de uma doença, ou para emprestá-lo a outra pessoa que também precisa de amor, assim como você. 

Pense nisso.


 Marisa

UM DIA, TALVEZ, QUEM SABE...


-

UM DIA, TALVEZ... QUEM SABE?

 

Um dia não é hoje, nem amanhã, é apenas um dia...

É sempre um álibi a nos proteger.

 

- Um dia eu vou voltar...

- Um dia eu vou levar você para passear na Disney...

- Um dia eu vou me separar...

- Um dia eu vou parar de fumar...

- Um dia o papai vai comprar para você...

 

O problema é que quando você não escolhe o dia, as pessoas o escolhem para você. Porque enquanto para você, que faz a promessa, o “um dia” é um dia qualquer; para a pessoa que ouve a promessa, o “um dia” é o dia que ela quiser.

 

- Mas você me prometeu! Você me prometeu que um dia...

 

Promessas de “um dia” são promessas vãs...

 

Quando você diz “um dia”, a vida não conspira a seu favor, simplesmente lhe responde de cima do muro:

- Eu não sou contra, nem a favor, muito pelo contrário.

 

Não importa o dia, mas escolha o dia, nem que seja o dia de São Nunca. Não engane as pessoas, porque um dia o Universo “te” pega!!!!

 


Marisa


A IGNORÂNCIA



A  IGNORÂNCIA 

 

Há dois tipos de ignorantes:

O provisório e o permanente.

 

O provisório se interroga, busca o conhecimento,

e um dia, deixa de ser ignorante.

É um ignorante humilde,

ele sabe que não sabe,

e assim, tem seu caminho aberto.

 

O permanente não faz a menor idéia de que é ignorante,

muitas vezes, pensa até que sabe tudo...

Nada pergunta a si,

muito menos aos outros, que provavelmente sabem menos do que ele!

Cristalizou-se na ignorância,

fechou-se,

e assim, todos os caminhos se fecharam para ele.

 

Mas, o que ambos deveriam saber é que,

o importante não é aquilo que se sabe, ou não se sabe...

o importante não é saber muito ou saber pouco.

o importante é aquilo que fazemos com aquilo que sabemos...

 

O conhecimento é como uma enxada em nossas mãos,

Com ela podemos abrir ou fechar nossos caminhos.

 

 

Marisa

O DESAFIO DA LUTA IMÓVEL



 

O que o desafia não são os soldados inimigos que se aproximam em seus cavalos sedentos por sangue...

 

O que o desafia são as pedras que

continuam imóveis e serenas...

 

O seu desafio não está na lança que será cravada em seu peito,

está no peito, no qual a lança será cravada,

no enigma a ser desvendado

quando se estabelecer a imobilidade...

 

Não são os gritos de dor

daqueles que morrem na batalha que o desafiam,

mas a choro das crianças

que continuam a nascer, cheias de esperança,

enquanto o seu mundo se esvai...

 

Contempla então, este instante como seu último desafio.

Imóvel.

E na imobilidade compreenderá então,

o movimento da vida.

 

Marisa

terça-feira, 10 de setembro de 2024

MORTE EM VIDA

 



MORTE EM VIDA


É uma morte da qual muitos nem se dão conta porque não tem velório, nem enterro…


Uma morte lenta, à conta gotas, vai tomando conta da pessoa aos poucos. ..


É triste pra quem morre e pra quem assiste…


Diferentemente de uma morte abrupta em que você sofre um baque, celebra o luto e processa o enterro, na morte em vida o defunto fica vagando... Pelos seus sonhos, sua realidade. E não há como enterrar a vida, nem o que se confunde com ela…


É como se esquartejássemos o ser em vida. Morte por partes. Alguns pedaços estão vivos, outros mortos…


É uma esperança descabida. O que morreu não vai voltar.


É dolorido assistir a morte em câmera lenta. É quase um sadismo de Deus.  A dor lenta é mais intensa.

Arranque a unha de sopetão.

Arranque a unha devagarinho …


Devagarinho nos damos conta de que a morte está nos assombrando. E essa consciência dói…

Na verdade, apavora!


Não relacionamos nossas mudanças de humor e atitudes com essa morte lenta…


Num mecanismo de defesa nos vestimos de Pollyana, colocamos nossos óculos cor de rosa e vemos a vida colorida!!! 


Essa mãe não é minha.

Onde está a minha mãe?


Aquela mulher que não parava um minuto, cheia de vida, cuidando de todos…

Guardava meu prato no forno, não esquecia de ninguém, só dela…


Aquela mulher que paparicava meu pai. Cozinhava tudo o que ele queria, do jeito que ele queria. Tão afetiva, tão carinhosa…


Não.

Essa não é a minha mãe. Já falei.


Está inerte, nem se mexe, sem expressão, sem palavras…


Parece que foi de repente, mas na verdade a mudança foi lenta, interior, imperceptível. 


A materialização no corpo é só a gota d' água. A manifestação. 

A última etapa do que já acontecia no mundo sutil. 


A gente vai criando a própria morte durante a vida.


Se percebêssemos criaríamos algo menos doloroso para nós e para os outros.


Eu penso na morte todos os dias, para valorizar a vida. Para que a consciência da minha mortalidade se instale em mim como um antivírus.


Sei que a morte é um mistério, e muito do que penso são suposições.


Uma coisa é certa: A morte tem seu lado bom. Ela nos iguala. Talvez seja a única certeza da vida. E está nas mãos de Deus o dia e a hora de nossa morte.


Acho que Deus sabe o que faz. 

Ele deve ter os motivos dele para torturar a gente com uma morte em vida…


Mãe! Você está me ouvindo?

Mãe! Olha pra mim! 

Mãe! Eu sei que você tem uma fonte inesgotável de vida interior…


Vejo pessoas andando, comendo, falando… coisas que você não faz. Essas pessoas não têm um décimo da sua luminosidade interior!!!


Mas isso não muda a minha dor. É como se a luz estivesse aprisionada, encarcerada…


Mãe, você ainda não respondeu a todas as perguntas que eu queria fazer…


Eu ainda não a levei pra viajar só comigo!


Tantas coisas ficaram pela metade!!!

Aquela toalha em ponto cruz…

Aquela malha cinza de tricô…

Aquele vaso de cerâmica…

Aquela tela em branco …

As tintas secaram,

Os pincéis enrijeceram!


Seus neurônios enrijeceram…

As placas de proteínas não deixam os músculos obedecerem os comandos do cérebro…


Está tudo dominado!


Quando a gente não assume o que é nosso, abrimos caminho para que algo se aposse de nós e tome nosso lugar…


A doença se apossou da minha mãe. Sei que ela não vai voltar a ser o que era, eu é que tenho de lidar com a minha dor…


Eu é que tenho de descobrir o que ela está tentando me dizer com aqueles olhos marejados, com aquela boca contorcida que não sei se é dor ou sorriso mal sucedido…


O meu alívio é que você dorme bastante mãe!

E nos sonhos tudo é perfeito, tudo é possível. 


Nos sonhos eu sei que você dança, pinta suas telas, termina seus bordados, suas costuras…


Nos sonhos você corre atrás de seus filhos que nunca cresceram…


Nos sonhos você faz muitas guloseimas…


Você se olha no espelho e se acha jovem e linda!!!


Me lembro da sua resposta quando eu perguntava:

_ Como é ficar velha mãe?

_ Não sei, quando eu ficar velha eu lhe conto! 


Nem precisa contar mais mãe

Já sei…

Ficar velho é uma MERDA!


Marisa 2024


Minha mãe completou 3 anos acamada, com sonda gástrica, inerte, só mexe os olhos.



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"Que todos os seres sejam saudáveis, prósperos e felizes."

TODO MUNDO TEM SEU DIA DE MIOJO

 TODO MUNDO TEM SEU DIA DE MIOJO



Quem é que nunca levou um fora,
Perdeu o rebolado,
Foi deixado de lado...?

Quem é que nunca ficou duro,
Sem um puto,
E morto de fome...?

Quem é que nunca perdeu a hora,
Perdeu a janta,
ou
Chegou tarde em casa...?

Quem é que nunca fez visita de surpresa,
Se meteu onde não devia...
Deixou a comida cair na pia...?

Não esquente meu irmão...
MIOJO quente é a solução!

Marisa 2024


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

TORNE-SE UM OCEANO

 


TORNE-SE O OCEANO

Esta mensagem não é de minha autoria, desconheço o autor, mas é em homenagem à minha irmã Valda que está fazendo o Caminho de Santiago de Compostela!

"Diz-se que, antes de um rio entrar no oceano, ele treme de medo.

Olha para trás, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo

caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê

à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que
desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira...O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar! Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece, porque
apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas TORNAR-SE oceano."

Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos nós.

Só podemos ir em frente e arriscar.

Coragem!!

Avance firme e torne-se Oceano!!!"

Buen Camino!!!! Hermana!!!

MARISA


O REI DA EMBROMAÇÃO



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O REI DA EMBROMAÇÃO

 

O professor abriu a aula num lindo terno bege, ou branco encardido, não sei, perguntando aos alunos se não estava bonito...

Criou grandes expectativas dizendo que o traje diferenciado dentre todos os professores era proposital... teria a ver com a aula do dia...

E todos alunos pensaram: “ puxa, ele planejou a aula, pensou até no traje que iria vestir...!”

 

Era trinta de outubro de 2001 quando o professor de português, Roberto, debateu com seus alunos da turma 91 de  Direito, o sistema de ensino, primeiramente de forma abrangente, depois de forma restrita , na faculdade UNIB, e finalmente de forma singular, considerando o ideal da postura do aluno perante esse ensino.

Como se fazia na dialética dos Antigos, duvidou-se do papel dos sujeitos da relação de ensino e aprendizado: seriam eles como na relação jurídica, ativo e passivo?

Além de tudo o que  foi falado em classe, minha percepção captou mensagens subliminares, que iriam além, muito além, de tudo o que foi dito e redito em aula, e o que viria a demonstrar como é possível, partindo de verdades previamente aceitas pela maioria, manipular um grupo, uma classe, ou um povo, objetivando esconder as próprias falhas, as próprias fraquezas, ou desviando a atenção dos fatos mais importantes, e obtendo assim vantagens e atingindo objetivos que a maioria não percebe.

 

Os alunos aguardavam ansiosamente a chegada do professor, pois estavam impacientes para saber as notas das provas do bimestre passado, notas essas que todos os professores há muito já haviam dado, mas o Rei da Embromação, logicamente pra fazer jus ao codinome que lhe foi dado por uma de suas amigas, ultrapassava ao máximo os prazos estabelecidos pela faculdade, para entregar aos alunos as notas tão esperadas.

 

Acredito que os professores, na relação de ensino e aprendizado, estão numa posição de maior experiência, pois já percorreram todos os caminhos pelos quais hoje passam os alunos. Justamente por isso, têm por função, detectar as falhas no processo de aprendizado e apontá-las aos alunos e a si mesmos para que essas sejam sanadas e o processo de ensino atinja seu objetivo: o aprendizado.

 

Isso foi o que o Roberto fez na última aula. ( Quando falo da última aula, na realidade trata-se de um bloco de duas aulas seguidas).

Após algumas colocações sobre o ensino, foi feita aos alunos a pergunta:“ Por que você decidiu fazer DIREITO?”

 

Eu, como aluna tenho a minha resposta:

-       Porque  sou uma pessoa muito crítica, não gosto de injustiças. Gosto de ler, de escrever, de estudar; necessito de conhecimentos nessa área em meu trabalho, a graduação irá me favorecer profissionalmente; e é também uma profissão  que você pode exercer como autônomo, montar um escritório em casa, fazendo seu próprio horário, de acordo com suas possibilidades. É uma ótima alternativa no mundo atual em que cada vez mais o vínculo empregatício é rompido.

E ainda que você não exerça a profissão, o Direito faz parte da cultura, pois como um povo poderá falar de cultura sem conhecer os seus direitos?

Eu, particularmente, sou apaixonada pelo Direito do Consumidor, e pela Advocacia Comercial Preventiva; e gostaria também de trabalhar em algo como  Advocacia Filantrópica, em benefício daqueles que não dispõem de recursos para custear um processo judicial.

Mas existe um outro motivo, de que ainda não falei, é a “realização de um sonho”.

Já me enveredei por três faculdades e creio que agora encontrei o lugar e o ramo com que me identifico realmente.

Tempo perdido?

Não, não acredito que todo o trajeto percorrido tenha sido tempo ou dinheiro perdido. Em minha opinião nada do que se aprende é perdido.

Se você gasta dinheiro, ou tempo, nos Shoppings da vida com coisas “fungíveis”, isso sim, pra mim é perdido para sempre, mas se você estuda, adquire conhecimento pelo estudo, ou por viagens, ou pela simples curiosidade de ir a fundo, isso é um bem “infungível” (não pode ser substituído por outro de mesma qualidade, espécie ou quantidade), e não tem preço mensurável, por tão valioso que é.

 

O professor comentou que muitos alunos se comportam como sujeitos passivos, esperando dos professores, como se esses fossem dotados do dom da magia, e possuidores de varinhas milagrosas que lhes coloquem cérebro a dentro todo o conhecimento de que necessitem.

O professor nos pediu para NÃO ACREDITARMOS NO ENSINO, pois a gente aprende sozinho: “ O ensino está até o segundo grau. O resto é por sua conta.”

O que estou escrevendo  agora é a maior prova de que isso não é verdade.

Eu estou , pelo menos, tentando seguir o modelo canônico. E não aprendi isso no primeiro e nem no segundo grau.

Certamente concordo que o aluno não pode ter uma postura de simples  aceitação com relação ao ensino, ele tem sempre que ir além e buscar novos conhecimentos. Mas me parece que um professor que não acredita no ensino não deveria ser professor, pois assim sendo, a profissão dele é inútil e ele está recebendo salário para fazer algo que não lhe dá sentido algum. Portanto, na minha concepção o professor tem função sim e deve exercê-la, embora a recompensa que receba muitas vezes seja irrisória, se comparada aos esforços dispendidos.

O fato é que ninguém obriga ninguém a ser professor. E como o próprio professor nos diz, deve-se assumir responsabilidades  pelas escolhas que foram feitas.

Os indivíduos deveriam aprender nas escolas que é possível ser feliz, a despeito do que a vida lá fora lhes diz.

Como diz o Roberto Shinyashiki, O SUCESSO É SER FELIZ.

Deveríamos saber que é possível fazer o que se gosta e ser feliz.

As pessoas deveriam ser proibidas de trabalhar naquilo que não lhes traz felicidade:

“ Artigo 1º da Constituição Federal : É absolutamente proibido estudar ou exercer profissão em atividade na qual não se obtenha prazer, satisfação, ou felicidade, sob pena de sofrer as conseqüências da INFELICIDADE que afeta o bem comum e contamina os membros da sociedade.”

 

A avaliação dos funcionários de uma empresa deveria ser feita através de uma maquininha ( o felicidômetro) que medisse o grau de felicidade do funcionário. A produtividade seria conseqüente.

As pessoas geralmente fazem escolhas erradamente, influenciadas por vários fatores. Muitas vezes buscam prestígio, dinheiro, o exercício do poder. Quem assistiu a aula do  professor Carlos e leu o texto sobre o sociólogo Merton, que fala da anomia social com suas metas sociais impossíveis, sabe do que eu estou falando.

Muitas vezes somos também desestimulados pela família, pelos amigos, e nos sentimos inferiorizados e incapazes de perseguir os nossos sonhos.

Agora sou eu quem pergunta:

“Professor Roberto : - Por que você decidiu ser professor?”

Não foi para chamar seus alunos por termos como : “ seus burros”, “cambada”, “ medíocres”, ou usar frases como : “ O cérebro de vocês não alcança coisa melhor que isso?”

A intenção pode ter sido boa dentro do contexto, talvez mexer com o nosso orgulho próprio, ou incitar-nos a falar.

Essa intenção ficou clara depois que o mestre nos disse que confronto não é briga, e que vivemos a vida toda nos recusando a fazer confrontos, mostrando, assim, que precisamos assumir responsabilidades e externar nossas opiniões.  Essa é uma das grandes verdades compartilhada por todos...!

Refleti:

Será que alguém pode cobrar responsabilidade dos outros, se não cumpre as suas?

Pois a responsabilidade maior do professor naquele momento, véspera de fechar o bimestre, seria apresentar as provas, verificar dentre os alunos as maiores dificuldades, e fazer uma recapitulação de tudo o que foi dado, com novos exemplos, ou textos, preparando a classe para as provas que logo a seguir viriam.

 

Mas o discurso do Rei da Embromação deu certo.

Alguns alunos começaram a falar, e a mostrar seu descontentamento com o sistema de ensino da faculdade.

A essa altura já se havia passado a primeira aula inteira, e ele repetiu a mesma idéia mais de vinte vezes, com palavras diferentes, em tons inflamados e discursivos.

Refleti:

Pra quem dizia, no início do ano, que sua cadeira tinha pouquíssimas aulas, e que a matéria , dada a sua importância na profissão do advogado, deveria ter ,no mínimo , o dobro do número de aulas, essa redundância e perda de tempo não pareciam coerentes....

 

O que me fez sentir ainda mais que o tempo da aula estava sendo mal utilizado, foi que a discussão foi ampliada para assuntos que não tinham muita relação com o tema.

Ligados por “inimigos” comuns, o debate foi se inflamando, e extrapolando os limites.

Não vamos citar nomes para não comprometer inocentes.

Já dizia minha mãe: “Roupa suja se lava em casa.” Apesar de que muitos acham que roupa suja se lava em público.

Pra mim, a questão não é “em casa”, ou  “em público”.

Minha opinião é de que a questão que se impõe é COM QUEM se discute o problema. Essa frase significa que devemos acertar nossas desavenças com a pessoa em questão e não com terceiros.

Aí vem o professor Roberto e diz novamente:

“ É preciso ter responsabilidades”, “ é preciso ter opinião e se manifestar”.

Vocês podem  achar que estou repetindo muitas frases, porém se eu as repetisse aqui por tantas vezes quantas foram proferidas naquele dia, esse texto não teria fim...!

E já que o caminho foi sutilmente aberto e favorecido pelo professor, alguns alunos se sentiram em casa para falar.

Aproveitaram a oportunidade, uma vez que estando em relação de subordinação muitas vezes sentem-se fracos para confrontar com os mais fortes, e naquela aula, aparentemente não havia hierarquia entre professor e aluno.

E aqui estou eu, manifestando minha opinião, e certamente me confrontando com um professor que me criticou por ser INERTE, daqueles alunos que precisam ser empurrados para passar de ano!!!!! Corajosa eu hein....!!!!

O que todo professor se esquece, é de que ele, por ter muitos alunos, pode não conhecê-los muito bem, porém a recíproca não é verdadeira....

Felizmente, eu sei muito bem quem sou, e ninguém melhor do que eu para me definir.

 

A segunda aula já havia começado e fiquei espantada em perceber que ninguém percebia o que eu estava percebendo:

Era impressão minha, ou ele não havia preparado a aula e estava embromando?

 

Comentei isso com o colega do lado ( Josevaldo), não sei se o professor me ouviu, pois eu estava sentada na fila do gargarejo, e o que aconteceu foi que, logo a seguir, ele literalmente perguntou a classe:

“ Vocês acham que para uma classe omissa o professor se preocupa em preparar a aula?”

 

E para completar:

“ Para um público ignorante, qualquer discurso serve”

“ Para um bando de medíocres qualquer professor serve.”

 

A minha conclusão foi:

- Ou eu sou medíocre, ou ele não serve pra mim.

 

Só posso dizer a vocês que eu não sou medíocre.

Decidi sair da sala para respirar um ar.

.... Voltei!

E só peguei a despedida do Rei da Embromação:

“ Desculpa por ter tomado o tempo de vocês com um discurso tão ridículo.”

 

....!

 

A sensação que tive foi como assistir ao Fantástico da Rede Globo, quando você fica super curioso com as vinhetas, pensa que eles vão falar de algo realmente fantástico e depois... tudo é tão superficial, não acrescenta nada substancioso, é só embromação e manipulação... E só depois percebemos que gastamos nosso tempo precioso dando ibope para eles.

Ou então aquele programa : VOCÊ DECIDE:

“ Se é a favor da biboca da parafuseta ligue para OBOBO-OBOBO,

mas se for contra a biboca da parafuseta ligue para OBOBA_OBOBA.”

 

Aí, muitos concluem:

“ Como a Globo é legal! !!! A nossa opinião é importante para ela!!!”

 

E ainda dormem felizes dizendo:

“ Olha lá!!! A minha opinião venceu!!”

 

Contudo, não posso dizer que as duas últimas aulas do professor Roberto tenham sido em vão!

E aqui, quero dizer realmente PROFESSOR, e não Rei da Embromação, porque por meios “lícitos” ou “ilícitos”, eu aprendi, e cá estou, assumindo posição, externando minha opinião, e provando que na relação entre professor e aluno, o professor também pode aprender, na medida em que conhece melhor os seus alunos e se coloca na posição deles.

A posição de sujeito ativo e passivo não é fixa, elas devem ser trocadas para melhor compreensão de ambas as partes, não há privilégios para nenhuma das partes.

 

 

 

OBS-

No final daquela “aula” o professor pediu aos alunos que fizessem uma redação sobre a aula, colocando em seu conteúdo tudo o que haviam aprendido até aquele dia , observando o modelo canônico, a coesão textual e as regras gramaticais.

Na aula seguinte apenas dois alunos trouxeram as redações.

O professor sem lê-las elogiou os alunos, e logo a seguir começou a ler a minha redação( O Rei da Embromação), pois eu era um dos alunos que fizera a redação.

A medida que foi lendo, foi ficando vermelho... Ao final da redação a classe bateu palmas.

Ele pediu que alguns alunos se manifestassem verbalmente.

A maioria dos “depoimentos” corroboraram  meus pensamentos e idéias, apenas dois alunos ficaram penalizados pela situação vexatória em que ficou o professor, por coincidência esses alunos eram os mesmos que precisavam de nota para passar de ano...

O professor olhou para mim e disse, perante a todos, que eu teria DEZ pela redação e estaria dispensada da prova seguinte....

Mas dias antes  ele dissera que eu era daqueles alunos que precisavam ser empurrados para passar de ano, eu só quis mostrar que eu sabia fazer redação!

Outros alunos vieram me pedir cópia da redação. Tirei umas três cópias , e pedi pra se virarem .

 

Até um dia antes da prova, minha nota não havia saído no terminal, o que indicava que eu estaria de exame....

Conclusão: eu não tirei DEZ, tirei  oito, mas também não fiquei de exame.,

E por coincidência ou não, o professor no ano seguinte não estava mais no quadro docente da UNIB.

Posteriormente soube que minha redação chegou à direção da Faculdade atra-vés de cópias que circularam por toda a faculdade.

 

Marisa Prado Sampaio


O ARCO ÍRIS


 O ARCO ÍRIS

Essa carta, em forma de poesia, me foi encomendada pela minha irmã que organizou a festa de Bodas de Ouro de nossos pais.


Ela me pediu:


- Você que gosta tanto de escrever, poderia fazer alguma mensagem para homenagear nossos pais no dia da festa, que acha?

- Gostaria muito, mas só consigo escrever quando estou inspirada....

Os dias iam passando e eu me preocupava.

Não gostava de escrever por encomenda.

Todos os dias em que a Eliana me encontrava ela perguntava:

E aí? Já escreveu aquilo?

 E assim, eu ia ficando a cada dia mais nervosa...

Até que um dia falei pra ela:

- Eliana, não sei não....Não estou tendo inspiração, acho melhor pedir pra outra pessoa.....

E ela me respondeu:

- Não se preocupe, se der deu... se não der não tem problema.

Inspiração é assim mesmo, surge de uma hora pra outra, você vai ver....

E no dia seguinte quando acordei , peguei a caneta e escrevi: O ARCO ÍRIS...

que foi a página de entrada do LIVRO de presença da festa de nossos pais.

O ARCO IRIS

O amor é criativo!

O amor tudo pode...

O amor é sorte,

Sempre juntos...

À procura do tesouro...

Tudo são cores!!!


E assim é o amor,

Feito de muitas cores...

Cada cor tem sua dor,

Cada cor tem sua beleza,

Sua riqueza e sua nobreza.

O amor não tem fim...

Ele encontra sempre uma saída...

Porque o amor é criativo!


O ARCO-ÍRIS

Nós éramos apenas as sete cores,

Que andavam por aí...

Soltas, sem rumo...,

Sem destino... no imaginário da existência...

Até que um dia o amor não coube em si,

E se multiplicou:

Cícero, violeta.

Marisa, laranja.

Eliana, verde.

Valda, vermelho.

Helder, azul.

Ronaldo, anil.

Selminha, amarelo.


O amor de Celma e Guaracy bagunçou o Arco-Íris,

Mudou a até a ordem das cores,

Só para nos ensinar que

O AMOR é criativo !

O amor tudo pode...


Cada cor tem sua dor,

Cada cor tem sua beleza, sua riqueza e sua nobreza,

E é assim que é o amor, feito de muitas cores!


E se existe um arco íris com sete cores,

É porque existe também

Você meu pai, meu Sol !

E você minha mãe, minha Lua...


Vocês são as cores mais lindas,

São as cores eternas de nossa alma,

São modelos e exemplos que tentamos refletir...

Porque nada mais somos que o reflexo desse GRANDE AMOR...

Diz a lenda que lá no fim do arco íris tem um pote de cheio de ouro...

Quem de vocês já encontrou seu pote de ouro?

Cada um se pergunta: “Onde está o meu tesouro?”

Será apenas uma lenda?

 Só encontra seu tesouro quem percebe que

as moedas de ouro têm sempre duas faces:

Cara...

Coroa!!!


E quando eu perguntava a receita do amor,

Minha mãe sempre dizia em sua humildade:

“O amor é sorte.”

E se o amor não é o pote de ouro,

Também não é as moedas.

É simplesmente aquilo que brotou

No coração de um homem e de uma mulher,

Fez com que eles se dessem as mãos e

Caminhassem juntos pelo ARCO ÍRIS à procura do tesouro...


Não importando tempestades,

Não importando os dias de chuva,

Muitas vezes cansados e desesperados,

Alguns dias molhados... literalmente ensopados!

Sempre juntos...


À procura do tesouro...

E hoje, como a mãe após o parto,

ao ver o filho saudável em seus braços,

Eles já nem se lembram das dores...

Tudo são cores!!!!

Para ver o arco íris é preciso apenas olhar para cima,

Pois é lá que estão as cores...

E assim é o amor,

Feito de muitas cores...

Cada cor tem sua dor,

Cada cor tem sua beleza, sua riqueza e sua nobreza.

A aliança de ouro que hoje

recebem não é um FIM..

Porque

O amor não tem fim...

Ele encontra sempre uma saída...

O amor é criativo!


Marisa 06.02.2004

 


 



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