quinta-feira, 29 de agosto de 2013

TEMPO DE REFLETIR



TEMPO DE REFLETIR

O tempo além de seus efeitos benéficos e colaterais, tem também seu efeito ilusório.
Em sua essência o tempo é uma ilusão.

Assim como nas escolas nossos professores fragmentam a teoria para facilitar a didática, o tempo na Terra nos é colocado em uma linha SUCESSIVA a fim de melhor compreendermos as experiências do passado  e evoluirmos na escola da vida.

Quando porém sairmos desse mundo acadêmico,
Veremos que milhões de anos passados se fundem ao momento presente.
Nossos ancestrais aparentemente tão distantes não estão afastados de nós.

O mundo não é estático, nem apenas cíclico,
O mundo é como uma ESPIRAL em que um círculo se funde a outro, mas a caminho da EVOLUÇÃO.

Como num processo de destilação ou decantação, deixamos as impurezas para trás, caminhamos para a evolução.
Uns a passos de tartaruga, para esses o tempo é um fardo...
Outros alçam vôos de águias, para esses o tempo é uma oportunidade!

Não acredito em INVOLUÇÃO...
Acredito em desempenho de papéis para uma finalidade maior.
Acredito que tudo tem um propósito e que nenhuma morte ou vida é em vão...

E que o homem um dia será a sua essência que é DEUS...

Marisa


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A VOLTA DE CAPITU


A VOLTA DE CAPITU (Na voz de D. Casmurro)

Este texto me foi inspirado após o encontro literário que fizemos com Aldina Valeira, em 07.08.2013, estudando a obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, especialmente no que tange ao trecho abaixo e também porque acredito que “a morte não é a maior perda na vida. A maior perda na vida é aquilo que morre em nós enquanto vivemos.” (Frase atribuída a Pablo Picasso e também a Norman Cuisins)


Segue o texto inspirador de Machado de Assis:

 “ ...um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não agüenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim.”

A VOLTA DE CAPITU (Na voz de D. Casmurro)

     Apareceu-me em noite escura, das profundezas do nada, o espírito de Capitu...
     Não mais dissimulada, que lá de cima não se simula nada...
     Imagem de santa com os braços abertos...
     Não mais de olhar oblíquo, que lá em cima o caminho é certo...
     Irradiando luz sobre mim!
     Olhar transparente de quem é consciente...
     De quem já sabe quem se é...
     Não tinha lágrimas de saudade,
     Não tinha súplicas de perdão,
     Muito menos indícios de culpa.
     Só tinha ela nela mesma!

     Eu a amava e se não fosse pela opinião da sociedade, não colocaria tanta tinta na realidade, viajando para a Suíça, pintando um quadro que não existia, mentindo ao meu coração.
     Diante de Capitu compreendi que não enganei ao leitor, enganei a mim mesmo!  Percebi que nunca houve defunto. Se não havia mortos... Todos eles me perseguiriam para sempre, onde quer que eu estivesse...

     Ajoelhei-me e em prantos e gritei:
     _ Perdoa-me Capitu! Eu estava morto e não sabia...

A “causa mortis” não poderia ser outra:  A falta que eu fazia a mim mesmo!

     E mais uma vez olhei para ela:
    _ Perdoa-me Capitu! Eu não enganei aos leitores, enganei a mim mesmo...

Marisa Prado Sampaio




terça-feira, 6 de agosto de 2013

ÉTICA CÓSMICA


ÉTICA CÓSMICA

Um extraterrestre desceu à Terra e queria fazer tudo o que lhe vinha à mente, quando um terráqueo o advertiu:
-- Você não pode fazer isso!
 Assustado com a recomendação, perguntou:
-- Mas por que não posso?
-- Porque é proibido.
-- Como assim? - perguntou o extraterrestre.
-- Ora, é proibido por lei! - respondeu o terráqueo que ainda não se dera conta de que estava falando com um ser extraterrestre.
-- E o que é LEI? - indagou o extraterrestre.
O terráqueo pensou: Como pode existir uma criatura tão atrasada que não sabe o que é lei?
O alienígena levou horas para entender o que era lei e qual a sua função, pois em seu planeta, havia muito tempo, não existiam mais as leis. Seu povo já compreendera que a Lei Magna é o amor a todas as pessoas e todas as coisas. Assim, todas as suas ações eram voltadas para o bem individual e coletivo. Quando uma ação trazia o benefício individual, mas, ao mesmo tempo, o prejuízo coletivo, automaticamente, não a praticavam. Entendiam perfeitamente que não existia prejuízo coletivo sem prejuízo individual.
No planeta de onde vinha aquele extraterrestre, as pessoas tinham o cérebro evoluído, tinham o poder de antever a consequência de seus atos ainda não praticados. Quando iam praticar alguma ação que geraria dor a outro ser, como, por exemplo, deflagrar uma guerra, imediatamente, sentiam em seus corações e na própria pele toda a dor das inúmeras pessoas que sofreriam o tormento da guerra. E, mesmo assim, caso praticassem algo prejudicial à coletividade, anteviam a chaga negra do arrependimento doloroso por ter prejudicado um irmão ou a natureza. Isso os repelia a praticar o mal.
Assim, naquele planeta, de onde viera o extraterrestre, a lei não tinha função alguma, era uma palavra sem sentido. A lei não era algo fora deles, estava introjetada neles. E era difícil para eles entender uma lei criada pelo homem, para proteger os fracos, oprimidos, injustiçados, quando eles viam a própria lei servindo a propósitos contrários.
Entendendo, finalmente, quão crianças ainda somos no mundo evolutivo, e nada podendo fazer, pois suas ações eram proibidas por leis terrenas, voltou ao seu planeta e contou aos seus amigos:
-- Imaginem vocês que essa noite eu visitei um planeta em que ainda havia leis, onde as pessoas ainda seguiam apenas seus interesses individuais e não conseguiam antever a consequência de seus atos!
-- E eles não eram infelizes?
-- Sim. Eles sofriam muito, principalmente, os pobres e humildes que deveriam ser protegidos pela lei que eles criaram.
-- E o que você fez para ajudá-los?
-- Se eu os ajudasse, antevi que, com minha interferência magnética, eu alteraria todo o circuito de suas mentes, percebi que eles precisavam daquele sofrimento por mais algum tempo, para que sua matéria se tornasse mais sutil e pudéssemos nos conectar a eles de uma forma saudável. Decidi, então, voltar ao meu planeta, adquirir maiores conhecimentos com outros colegas que já estiveram por lá, para posteriormente voltar, num tempo em que provavelmente não existirá mais a necessidade de LEIS, num tempo em que já esteja em vigor, entre eles, a ÉTICA CÓSMICA. Assim, poderemos nos unir, formar um novo orbe e ajudar novos irmãos estelares.

Marisa Prado Sampaio