ÉTICA
CÓSMICA
Um extraterrestre desceu à Terra e queria fazer
tudo o que lhe vinha à mente, quando um terráqueo o advertiu:
-- Você não pode fazer isso!
Assustado com a
recomendação, perguntou:
-- Mas por que não posso?
-- Porque é proibido.
-- Como assim? - perguntou o
extraterrestre.
-- Ora, é proibido por lei! -
respondeu o terráqueo que ainda não se dera conta de que estava falando com um
ser extraterrestre.
-- E o que é LEI? - indagou o
extraterrestre.
O terráqueo pensou: Como pode existir uma
criatura tão atrasada que não sabe o que é lei?
O alienígena levou horas para entender o que era
lei e qual a sua função, pois em seu planeta, havia muito tempo, não existiam
mais as leis. Seu povo já compreendera que a Lei Magna é o amor a todas as
pessoas e todas as coisas. Assim, todas as suas ações eram voltadas para o bem
individual e coletivo. Quando uma ação trazia o benefício individual, mas, ao
mesmo tempo, o prejuízo coletivo, automaticamente, não a praticavam. Entendiam
perfeitamente que não existia prejuízo coletivo sem prejuízo individual.
No planeta de onde vinha aquele extraterrestre,
as pessoas tinham o cérebro evoluído, tinham o poder de antever a consequência
de seus atos ainda não praticados. Quando iam praticar alguma ação que geraria
dor a outro ser, como, por exemplo, deflagrar uma guerra, imediatamente,
sentiam em seus corações e na própria pele toda a dor das inúmeras pessoas que
sofreriam o tormento da guerra. E, mesmo assim, caso praticassem algo
prejudicial à coletividade, anteviam a chaga negra do arrependimento doloroso
por ter prejudicado um irmão ou a natureza. Isso os repelia a praticar o mal.
Assim, naquele planeta, de onde viera o
extraterrestre, a lei não tinha função alguma, era uma palavra sem sentido. A
lei não era algo fora deles, estava introjetada neles. E era difícil para eles
entender uma lei criada pelo homem, para proteger os fracos, oprimidos,
injustiçados, quando eles viam a própria lei servindo a propósitos contrários.
Entendendo, finalmente, quão crianças ainda somos
no mundo evolutivo, e nada podendo fazer, pois suas ações eram proibidas por
leis terrenas, voltou ao seu planeta e contou aos seus amigos:
-- Imaginem vocês que essa noite eu
visitei um planeta em que ainda havia leis, onde as pessoas ainda seguiam apenas
seus interesses individuais e não conseguiam antever a consequência de seus
atos!
-- E eles não eram infelizes?
-- Sim. Eles sofriam muito,
principalmente, os pobres e humildes que deveriam ser protegidos pela lei que
eles criaram.
-- E o que você fez para ajudá-los?
-- Se eu os ajudasse, antevi que, com
minha interferência magnética, eu alteraria todo o circuito de suas mentes,
percebi que eles precisavam daquele sofrimento por mais algum tempo, para que
sua matéria se tornasse mais sutil e pudéssemos nos conectar a eles de uma
forma saudável. Decidi, então, voltar ao meu planeta, adquirir maiores
conhecimentos com outros colegas que já estiveram por lá, para posteriormente
voltar, num tempo em que provavelmente não existirá mais a necessidade de LEIS,
num tempo em que já esteja em vigor, entre eles, a ÉTICA CÓSMICA. Assim,
poderemos nos unir, formar um novo orbe e ajudar novos irmãos estelares.
Marisa Prado Sampaio