quinta-feira, 25 de setembro de 2025

ACIMA DAS NUVENS

O RAPAZ DO AVIÃO 


Eu estava na fila do check in, com minha mochila nas costas, quando ouvi o barulho de algo se arrebentando…

Era a alça da minha mochila. A fivela era de plástico e se rompeu, um pedaço dela foi direto no rapaz que estava atrás de mim…

Muito educadamente ele disse: 

“_ Eu acho que posso ajudar, isso já aconteceu comigo. Não vai ficar muito bom, mas é uma gambiarra…”

Dei minha mochila pra ele e fiquei contemplando aquelas mãos tão habilidosas e prestativas!

O rapaz tinha uma beleza diferente, devia ter entre 35 ou 40 anos no máximo. Não era gordo nem magro, usava moletom e uma mochila nas costas.

Quanto mais eu olhava pra ele, mais bonito eu o achava, com exceção do bigode… O bigode era muito feio!

Percebi que ele também me olhava de vez em quando, mas de repente, a companhia aérea anunciou o atraso do vôo e a fila se dispersou… Não vi mais o rapaz…

Pensei: “ Só falta ele se sentar do meu lado no avião…”

Quando anunciaram o vôo de novo, eu o vi novamente, eu era zona 3 no embarque, e ele também…

Ele parecia muito educado e tímido, sem aquela pressa ou ansiedade para embarcar…

Quando ele me olhava eu desviava o olhar e ele fazia o mesmo quando eu olhava pra ele…

Eu me sentia sem graça, afinal vou fazer 70 anos, e esse cara era uns 30 anos mais novo que eu… Jesus!

Sentei-me no assento do avião e peguei o celular para mandar um WhatsApp para o taxista que iria me pegar no aeroporto. Quando levantei a cabeça, lá estava o rapaz! Sentado na mesma fileira que eu, com uma poltrona vazia entre nós…

Ah… Como eu queria voltar aos meus 35 ou 40 anos!!!!!

Lembrei-me de uma viagem que fiz nessa idade, em que um rapaz como ele se sentou ao meu lado…

Conversamos a viagem inteira, trocamos telefones, ficamos amigos, saímos umas três ou quatro vezes no Brasil, até que eu desisti porque ele morava com os pais e eu não curtia namorar “ filhinho de mamãe”...Preferia rapazes mais independentes, com personalidade própria…

Voltando ao rapaz do avião, ele falava português muito bem, possivelmente brasileiro, mas dentro do avião o vi falando inglês fluente com a aeromoça… Possivelmente morando fora do Brasil… Tinha muito cuidado para não invadir o meu espaço… Juntos compartilhamos a poltrona vazia entre nós e a mesinha de refeição.

Acho que era um mochileiro e gostava de fazer trilhas… A mochila dele era mochila de peregrino, tinha de tudo! De vez em quando ele abria a mochila pra pegar algo e eu ficava olhando… Cheia de bolsos, alças e tiras, mal cabia debaixo do assento da frente…

Quando o avião pousou eu só olhei pra ele pra me despedir e agradecer pela ajuda com a mochila. Não sabia o nome dele, nem ele sabia o meu…

Só senti o olhar dele sobre mim dizendo que ficou muito feliz por ter me ajudado! 

Que olhar lindo!!!

Que saudade dos meus 35 anos!!!!

Já desfiz as malas, já lavei a mochila, mas o nó que ele deu não se desfez…

Marisa 

Set/25

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